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Coincidência ou não, é logo no dia a seguir ao dia internacional do riso que vem o dia mais triste do ano. Por isso, se esta segunda-feira custar mais do que o habitual, não se sinta sozinho – há um motivo. Chama-se Blue Monday e é considerado o dia mais triste do ano. Mas será que a tristeza tem mesmo data no calendário?
O conceito foi criado em 2005 pelo psicólogo Cliff Arnall, a pedido da agência de viagens Sky Travel. O objetivo era que o psicólogo pudesse chegar à conclusão de qual seria o melhor dia para marcar uma viagem. O especialista percebeu que era mais provável uma pessoa marcar uma viagem para um sítio que consideraria “o paraíso” se estivesse no pior dia do ano. Fatores como o sentimento de falha para com as resoluções de ano novo, o tempo estar tendencialmente cinzento e frio, as despesas com as festividades de dezembro — tudo isso culminaria num momento triste em que compensaria ter uma viagem em vista que levasse a uma fuga do dia a dia. A empresa de viagens acabou por usar a teoria numa campanha publicitária - e, até hoje, é dos conceitos mais populares nesta altura do ano.
Mas atenção: a Blue Monday não é um conceito científico
A comunidade científica nunca reconheceu este conceito e psicólogos e especialistas em saúde mental são claros: não existe um dia universalmente mais triste.
Anos mais tarde, até Cliff Arnall se distanciou da teoria que criou, apelando mesmo a que esse conceito deixasse de existir, por ser “pseudociência”, ou seja, uma forma de conhecimento que, apesar de se dizer fundamentada em métodos científicos, não os utiliza nos processos de pesquisa.
No entanto, 21 anos depois, a Blue Monday continua a ser assunto, partilhada nas redes sociais e usada em campanhas de maketing. Até hoje, a blue monday é usada como pretexto de marketing para descontos nas mais variadas lojas - por isso, apesar de poder ser um dia triste, pode sempre aproveitar para fazer aquela compra que tem andado a adiar.
Sintomas da Blue Monday
Desânimo, cansaço, sensação de frustração, preocupação financeira, pressão para voltar à rotina – tudo isto são estados de espírito mais normais nesta altura do ano (e mais comuns do que aquilo que pensa). Mas atenção: sentir-se assim por alguns dias, não é sinónimo de depressão. Se estes sintomas persistirem e/ou se intensificarem, é essencial procurar ajuda profissional.
O que é que pode fazer para combater o dia mais triste do ano?
Não existe uma fórmula mágica para atravessar um dia mais triste, e este, apesar de universal, não é exceção. No entanto, pode haver práticas que sejam propícias a aliviar um dia mais pesado. É sabido que o exercício físico liberta hormonas no nosso corpo que nos fazem estar num estado de espírito mais animado e, portanto, essa é uma das dicas para ultrapassar este dia de forma mais leve. Além disso, expor-se, se possível, ao máximo de luz solar; fortalecer laços sociais, seja com amigos ou família, não só para distração, mas também para aumentar o sentimento de pertença. Por fim, e talvez o mais importante, aceitar que pode ser um dia mais triste, sem culpa ou autocrítica — e se a tristeza persistir, procurar ajuda profissional.
A Blue Monday pode não ter base científica, mas os sentimentos associados a esta altura do ano não devem ser desvalorizados. Reconhecê-los, falar sobre eles e procurar apoio quando necessário continua a ser a melhor forma de cuidar da saúde mental — não só nesta segunda-feira, mas ao longo de todo o ano. No entanto, se estes forem sintomas mais comuns deste dia, lembre-se — ontem foi o dia internacional do riso e rir pode ser mesmo o melhor remédio.
[texto editado por Joana Ludovice de Andrade]