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Ser responsável, sensível e empático são qualidades que toda a gente valoriza. Mas quando levadas ao extremo, podem tornar-se o principal combustível da ansiedade. É esta a tese da psicóloga espanhola Ángela Fernández, que se tornou viral nas redes sociais pela forma direta como aborda temas de saúde mental — e que tem feito muita gente rever o que sempre considerou pontos fortes.
O tema não é irrelevante em Portugal. Segundo o Estudo Nacional de Saúde 2025, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, 34,6% dos portugueses entre os 18 e os 64 anos sofreram sintomas de ansiedade, burnout, ataques de pânico ou depressão nos últimos doze meses. Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, esse valor sobe para quase metade: 49,8%.
Fernández identifica três traços que tendem a aparecer juntos nas pessoas com maior propensão para a ansiedade.
O primeiro é a autoexigência elevada. Quem é muito perfeccionista ou disciplinado habituou-se, desde cedo, a receber reconhecimento quando faz as coisas bem — e isso instala uma necessidade de controlo difícil de largar. Quando algo falha, a queda é maior. A recomendação passa por treinar a flexibilidade e aceitar o erro como parte natural do processo.
O segundo traço é a amabilidade excessiva — a dificuldade em dizer não, a tendência para colocar os outros em primeiro lugar e o receio de estabelecer limites, tanto na vida pessoal como no trabalho. Fernández é clara: pôr limites não é egoísmo, é coerência.
O terceiro é um nível elevado de neuroticismo, ou seja, uma sensibilidade emocional intensa que leva a sentir medo, preocupação ou irritação com maior facilidade perante pequenas contrariedades. Não é fraqueza, sublinha a psicóloga — é simplesmente um sistema nervoso mais sensível. A resposta passa por criar rotinas estáveis: dormir bem, fazer pausas reais e reservar momentos de descanso consciente.
Para Fernández, o autoconhecimento é o ponto de partida. Reconhecer estas tendências não significa resignar-se a elas, mas sim aprender a geri-las antes que tomem conta do dia a dia.
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