Durante mais de duas décadas, Molly viveu longe do mar aberto. Resgatada em estado crítico na Irlanda e considerada incapaz de sobreviver sozinha na natureza, a tartaruga passou os últimos 22 anos sob cuidados humanos, na Florida. Agora, em Albufeira, tenta recuperar uma liberdade que durante muito tempo pareceu impossível.
A tartaruga da espécie Caretta caretta, com cerca de 120 quilos, foi transferida da Irlanda para o centro de reabilitação Porto d’Abrigo, do Zoomarine, onde uma equipa de biólogos e veterinários está a trabalhar para a preparar para um eventual regresso ao oceano.
Molly foi encontrada numa praia irlandesa com amputações nas barbatanas, devido a um ataque de tubarão no Golfo do México. Perante a situação, os profissionais consideravam improvável a sua sobrevivência em meio selvagem. Desde então, permaneceu num aquário irlandês, onde recebeu acompanhamento permanente.
A transferência para Portugal surgiu após avaliações médicas recentes indicarem melhorias na mobilidade e capacidade física da tartaruga
No Porto d’Abrigo, Molly está a ser submetida a um programa de reabilitação focado no desenvolvimento de comportamentos essenciais para a sobrevivência em liberdade, incluindo a procura e captura de alimento, a adaptação a estímulos naturais e o reforço da capacidade de deslocação, de acordo com o que a bióloga Isabel Gaspar revelou ao Correio da Manhã.
Segundo a equipa responsável, o objetivo passa por avaliar se a tartaruga consegue recuperar competências suficientes para enfrentar novamente as condições do habitat natural. O processo poderá prolongar-se durante vários meses e será acompanhado de forma contínua.