A passadeira vermelha dos Grammy Awards voltou a transformar-se num laboratório de moda onde o brilho, a ousadia e talvez algum desconforto caminharam lado a lado. Na 68ª cerimónia deste domingo, em Los Angeles, as escolhas das celebridades oscilaram entre o glamour clássico e propostas tão radicais que desafiaram os limites do vestuário tradicional - e, claro, estão a percorrer as redes sociais nesta segunda-feira.
As maiores tendências
Uma tendência recorrente foi a obsessão pelos tons nude, usados tanto para criar ilusão de segunda pele como para acentuar o corpo de forma quase escultórica. Sabrina Carpenter optou por uma peça delicada em renda, enquanto Tyla recuperou um vestido vintage adornado com cristais e uma cauda exuberante. Já Heidi Klum levou o conceito ao extremo com um vestido tão rígido e justo que transformou a caminhada na passadeira num verdadeiro desafio físico.
Os reflexos metálicos e as superfícies cintilantes dominaram também grande parte dos looks. Lantejoulas douradas, prateadas e azuis surgiram em força, com várias figuras a apostarem em vestidos que captavam a luz de todos os ângulos. Um dos momentos mais inesperados da noite pertenceu a Joni Mitchell, que aos 82 anos fez uma rara aparição pública num conjunto reluzente, dançando apoiada numa bengala perante os fotógrafos, num gesto que misturou elegância e irreverência. Outras celebridades apostaram nestes looks, como a cantora Zara Larsson.
O mais bizarro da noite
Mas foi no território do chamado naked dress que os Grammys se tornaram mais provocadores: transparências estratégicas, rendas quase inexistentes e estruturas mínimas expuseram o corpo como nunca. Chappell Roan destacou-se com uma recriação ousada de um modelo icónico dos anos 90, sustentado apenas por pontos-chave do corpo, enquanto Karol G seguiu a mesma linha, com um vestido ligeiramente transparente, em tons de azul, mas mais contido.
O drama
O dramatismo também marcou presença. Plumas negras, volumes exagerados e silhuetas teatrais surgiram como protagonistas. Lady Gaga apostou numa criação carregada de impacto visual, enquanto Hailey Bieber preferiu um minimalismo escuro e elegante. Houve ainda quem trocasse completamente o vestido por conjuntos em pele ou visuais inspirados no guarda-roupa masculino, caso de Billie Eilish, que reinterpretou o estilo colegial.
A moda no lado masculino
Entre os homens, a extravagância não ficou atrás. Smokings de alta-costura dividiram atenções com escolhas deliberadamente provocatórias, mostrando que a moda masculina também começa a arriscar mais nestes palcos. Bad Bunny, uma das figuras principais da noite pelos feitos históricos, destacou-se com uma criação de uma maison tradicionalmente associada ao feminino. Já Justin Bieber surgiu na passadeira vermelha com um fato preto Ballenciaga, mas revelou-se em palco sem camisola, apenas com uns boxers largos e de meias. Por outro lado, Jaden Smith, filho de Will Smith, mostrou-se exuberante com um fato Louis Vuitton e um "chapéu castelo" em conjunto. A peça extravagante está avaliada em 4.500€.
Como todos os anos, os Grammys celebram a música, mas a moda volta a afirmar-se como espetáculo à parte. Entre brilhos excessivos, transparências quase totais e vestidos que desafiaram o movimento, a passadeira vermelha confirmou uma tendência clara: nos Grammys, o estranho, o bizarro e o provocador já não são exceção — são regra.