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sol-da-meia-noite
Vítor Rainho
O Cais do Sodré de Luanda
As festas à tarde têm outro encanto, ainda para mais se forem na praia. E foi isso que vivemos no último sábado no Shogun, um restaurante-bar à entrada da Ilha de Luanda. O tempo quente, apesar do céu encoberto, convidava a uma bebida refrescante no final de tarde. O público começou a aparecer cedo, por aqui anoitece por volta das 18.30 h, e foi tomando espaço na pista improvisada. Na cabina, uma dupla de DJ impunha um ritmo forte, mas dançável, onde os sons do kuduro e afins não faziam parte da ementa. Entre o público, os mais musculados faziam questão de dar nas vistas em tronco nu, poucos, enquanto os restantes apresentavam-se em trajes de praia. À medida que a luz do dia ia desaparecendo, a rapaziada dava mostras de estar mais animada. Numa misturada de público, entre angolanos, portugueses e espanhóis, as mulheres mostravam por que razão são consideradas das mais sensuais do continente. De sorriso rápido, dançavam ao ritmo da house music como se estivessem a 'bailar' uma 'kinzombada'.
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Vítor Rainho
Os ovos etílicos da Páscoa
Há 20 anos - como o tempo voa - estávamos em Albufeira nas férias da Páscoa e preparava-me para fazer uma reportagem sobre os estudantes portugueses. A animação nocturna praticamente não passava por Vilamoura e tudo acontecia em Albufeira, onde o Capítulo dava cartas, antecedendo o final na Locomia. Recordo-me que andávamos de um lado para o outro, percorrendo as várias capelinhas, quando, ao chegar à Locomia, assistimos a um acidente, envolvendo um grupo de raparigas e uma carrinha que levava turistas séniores para a praia. O curioso do acidente, em que ninguém ficou ferido, foi a atrapalhação da jovem condutora, que só chorava, lamentando que a mãe fosse descobrir daquela forma que andava com o carro àquelas horas e num estado avançado de alcoolemia. A agitação era uma constante durante uma semana, mas poucos anos depois começou a reduzir-se a três dias.
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Vítor Rainho
Carnaval de Luanda
Nunca fui grande adepto do Carnaval, jamais tinha assistido a algum fora de Portugal. Mas quando se fala em Entrudo, automaticamente se associa a palavra Brasil. Ainda não foi este ano que assisti ao espectáculo do Sambódromo, no Rio de Janeiro, mas também ainda não perdi as esperanças. Estando em Luanda, onde passo mais de 12 horas fechado num escritório, por vezes nem me apercebo de alguma 'vida' que vai acontecendo, já que só ao fim-de-semana é que ando pela cidade de dia.
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Vítor Rainho
Regresso a Luanda
Quando se sai de Lisboa com as temperaturas a rondarem os 10 graus é sempre um prazer aterrar numa cidade onde os termómetros se aproximam dos 30oC. E se há terra onde o calor se reflecte na animação nocturna, Luanda está seguramente nessa lista. Ao contrário do que se passa no início da jornada de trabalho, onde os expatriados que estão nos hotéis aguardam pacientemente que chegue a sua boleia, só abandonando o interior dos mesmos nesse momento, à noite o medo dá lugar à alegria e poucos parecem preocupar-se com a segurança, embora tomem as devidas precauções. Claro está que aqueles que já vivem na capital angolana há algum tempo têm um comportamento diferente, já que estão habituados ao reboliço da cidade.
Vítor Rainho
Bebidas cruas
Nas rádios, na TV, nos jornais quem não vê... a histeria da alimentação e a divulgação de formas de vida saudável? A cada dia que passa aqueles que levam uma alimentação que inclui carne e peixe são considerados uns poluidores e, quase me atrevo a dizê-lo, uns selvagens. Claro que esses, os que adoram um bom cozido à portuguesa, um pato à Pequim ou um peixe na brasa, já para não falar nos impuros mariscos, são, direi mesmo, a maioria larga. Só que são silenciosos e, como tal, não são notícia.
Vítor Rainho
O dentinho da Madeira
O convite era apetecível, já que assistir ao fogo de artifício de final de ano na Madeira é um espectáculo que não devemos perder - merece ser visto pelo menos uma vez. E assim aceitei viajar na véspera da passagem de ano, apesar das confusões que, supostamente, me esperavam. Mas no aeroporto havia tranquilidade e a tão falada greve não se fazia sentir.
Vítor Rainho
A magia do Rio
O Rio de Janeiro tem mais encanto de dia, mas a noite tem outra beleza. Ao contrário de outras latitudes, muito do que acontece passa-se nos passeios dos famosos bares e restaurantes da Rua Dias Ferreira, no Leblon, onde milhares de pessoas vão bebendo enquanto estabelecem conversa com os amigos e com quem passa. Os restaurantes mais procurados - fui ao Brigite's e ao Quadrucci -, não vendem apenas comida e bebidas, pois o prato principal passa pela animação. Depois da janta o melhor é passar pelo Stuzzi, onde uma pequena cabina de DJ quase instalada no passeio serve para aquecer ainda mais o ambiente. Numa terra onde a temperatura, por esta altura, ronda os 30ºC são poucos os que optam por se fechar numa discoteca. Pelo que percebi, as discotecas ficam mais para os lados da Lapa e da Barra, pois no Leblon, Ipanema e Copacabana o que está a dar é ficar no 'boteco'. Casas como o Jobim registam enchentes de tal ordem que dá a ideia de estarmos no Cais do Sodré, embora com menos pessoas e muito mais alegria. E essa é para mim a grande diferença com Portugal. Por aquelas bandas as pessoas procuram mesmo divertir-se e gostam de aproveitar o momento.
Vítor Rainho
Adeus BBC
Foi um dos bares-discoteca mais procurados de Lisboa e à porta chegaram a estar autênticas multidões que queriam entrar a todo o custo. Os carros 'amontoavam-se' praticamente até ao Museu da Electricidade e, por vezes, os mais temerários mudavam de direcção provocando acidentes graves. Com o passar dos anos, o outrora espaço elitista, para uma geração de noctívagos, passou a ser um dos locais de eleição de cabeleireiras e jogadores da bola. Depois do 'boom', o responsável máximo procurou várias alternativas, mas nunca mais conseguiu alcançar a magia de outros tempos. Com o definhar da fama, começou a falar-se que daria lugar a um hotel, embora o projecto tenha sido chumbado. No passado fim-de-semana deu a última festa antes de mudar de mãos, prevendo-se que dê lugar a mais uma discoteca-restaurante virada para o público africano. Falamos do BBC, que à semelhança de outras discotecas de Lisboa fechou portas.
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Vítor Rainho
Big Brother
Contam os mais antigos que nos célebres tempos da 'movida' carioca, as vedetas internacionais eram convidadas para estarem presentes nas festas mais emblemáticas, ficando no hotel mais carismático, com todas as contas a cargo dos responsáveis das discotecas. Em Portugal, como é sabido, a moda pegou com figuras da televisão que funcionavam um pouco como embaixadoras dos espaços, medida que ainda se mantém no Verão algarvio. Mas o grande 'boom' foi dado pelas personagens dos reality shows e modelos que passaram a ser pagos para passarem umas horas nas discotecas, funcionando como chamarizes. Penso que alguns fazem vida disso e são verdadeiros reis de carnaval antecipado nas discotecas de província.
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Vítor Rainho
Madrid
Um fim-de-semana em Madrid, onde já não ia há alguns anos, deu para comprovar que em termos de discotecas Lisboa não fica nada atrás da capital espanhola, bem pelo contrário. Não sei se haverá algo parecido com o Lux e o Urban Beach, dois conceitos tão diferentes, e alguma coisa que se assemelhe ao Cais do Sodré. Em termos musicais não se deve fazer paralelismos, pois nuestros hermanos ainda estão na fase de misturar música de carrinhos de choque com alguma house dos anos 80. É uma misturada complicada, já que, pelo meio, lá entram as espanholadas em força. Verdadeiramente só ouvimos boa música num after hours lá para os lados do bairro de Salamanca, numa espécie de cave que dava pelo nome de Zeus. Curiosamente o ambiente não era pesado, apesar do cenário dos lavabos ser igual em Madrid ou em Lisboa.
Vítor Rainho
Gabirus...
O final de noite é, sem qualquer espécie de dúvidas, dos momentos mais perigosos que os jovens veraneantes passam no Algarve. Seja pela tenra idade, pelo grau de alcoolemia ou de outras substâncias inebriantes, é um facto que, se cambalear, regra geral vai na direcção errada, já que colide com alguém que anda à procura de brilhar junto dos amigos ou amigas.
Vítor Rainho
Férias
Há longos anos que tenho o ritual de cortar o cabelo no mesmo sítio. Durante todo esse tempo não me recordo de alguma conversa ‘belhardeira’ ou de alguma confissão fatal. Na última passagem pela cadeira do mestre, a propósito de algo que disse, ouvi uma resposta interessante. «Ah, esse deixou de cá vir... Eu não tinha muita experiência de ouvido e deixei-o dizer coisas de que depois se arrependeu e nunca mais teve lata para aparecer por cá». Facilmente se deduz que tal figura, à semelhança de tantos outros, fez confidências que depois se arrependeu. Por norma, são histórias de traições, como é óbvio. Primeiro insulta a mulher e depois, como fica em casa com ela, tem vergonha e deixa de aparecer.
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