Para o bem e para o mal, a exposição ‘Tap Portugal: A imagem de um povo. Identidade e design da companhia aérea nacional - 1945-2015’, que inaugurou na passada quinta-feira no Museu da Moda e do Design (MUDE), pode ser entendida de vários prismas. O timing em que acontece assim o dita, ou não estivéssemos no rescaldo do acordo, assinado no mês passado, que possibilita a privatização da companhia aérea por parte do consórcio liderado por David Neeleman e Humberto Pedrosa. Este enredo está a milhas de distância do terceiro piso do museu lisboeta, mas é impossível esquecer a actualidade mesmo que a proposta seja olhar para o passado e perceber como uma empresa e o design que lhe está associado ao longo de 70 anos de história serviram para criar, afirmar e disseminar a imagem de um povo e do seu país além-fronteiras. “Entrar num avião da Tap, fosse em Lourenço Marques [agora Maputo], Nova Iorque, Luanda ou Paris, era como entrar directamente em Portugal. Aliás, há um cartaz de 1968, que a descreve mesmo como ‘a casa portuguesa do ar’”, diz-nos a determinada altura Bárbara Coutinho, directora do Mude e curadora desta exposição, na visita guiada que fez à Tabu.