quinta-feira, 14 mai. 2026

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Luísa Costa Gomes. 'As livrarias são sítios que me deprimem profundamente'

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Luísa Costa Gomes. 'As livrarias são sítios que me deprimem profundamente'

Luísa Costa Gomes. “A “escrita feminina” é uma pestilência da cultura. Aparece e desaparece”.

O seu primeiro livro, “13 contos do Sobressalto” (1982), causou abalo na nossa ficção. Desde então, Luísa Costa Gomes tem vindo a criar uma “primavera autónoma”. "Florinhas de Soror Nada – a Vida de uma Não-Santa" é o seu mais recente romance, regado a ironia, ora perplexa, ora de uma frescura agreste, a resvalar para o sarcasmo. E segundo um sistema gota-a-gota, como uma torneira que pinga e vai escorrendo a católica fé que foi pelo cano. 

Luísa Costa Gomes. Num tempo em que a literatura não importe, mais vale desaparecer

«A literatura não pode ser um catering, com indulgências ao gosto dos leitores», escreveu Luísa Costa Gomes em Ilusão (ou o que quiserem), e percebe-se como o seu percurso tem sido dos mais coerentes e significativos, permanecendo à margem das fantasias imbecis dos que chegam à literatura e querem é festa
Luísa Costa Gomes. Num tempo em que a literatura não importe, mais vale desaparecer

Isto e o seu contrário

De cima do muro, Humpty Dumpty garante a Alice que, em cada ano, existem 364 dias em que podemos receber presentes de desaniversário. O argumento é razoável: se existe o que existe, então terá de existir também o que não existe, caso contrário o que existe não existiria. Se existe um dia de aniversário, existem também 364 dias de desaniversário. Oh, que curioso, hoje também calha no seu?! Então, merece que lhe ofereçam este Cláudio e Constantino: uma “novela rústica em paradoxos”, ou antes um romance delicioso criado por Luísa Costa Gomes a partir de confrontos filosóficos entre verdade e especulação, alguns velhinhos de há 25 séculos.
Isto e o seu contrário
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