Assim que entramos no Salão Ideal, no Chiado, ponto de encontro para a entrevista, João Salaviza diz-nos que prefere sentar-se num dos cantos. Escolhemos o ângulo mais discreto e, minutos depois, a opção já estaria esquecida se o realizador não nos desse uma desculpa - enquanto falava de David Mourato, protagonista de 'Montanha' - para recuperar a preferência. Na procura de um adolescente para a sua primeira longa-metragem, Salaviza viu centenas de miúdos e David, ao contrário da maioria, nunca mostrou o "desejo de fazer um filme". A tendência natural do jovem em se esconder, "encostar-se nos cantos mais protegidos", impressionou o realizador. Comentamos o comportamento semelhante e Salaviza apercebe-se da sintonia que antes "nem tinha reparado". "Até parece que estou no psiquiatra", brinca, entre risos. E não pode, afinal, o cinema ser uma espécie de divã terapêutico?