António Costa Sócrates, como se esperava, já goza de um clima de adoração inusitada por parte de uma certa comunicação social. Já se esperava: António Costa, embora seja um político apenas razoável, beneficia de um conjunto de condições objectivas (que não são mérito seu, mas mero fruto do acaso) que fazem com que pareça ser um “grande político” ou o homem da “salvação nacional”. É conhecida a expressão de Emídio Rangel segundo a qual a televisão cria Primeiros-Ministros como vende sabonetes. António Costa é o sabonete mais flagrante da política portuguesa: alguém que só com muita dificuldade chegaria (sequer) a líder de um dos maiores partidos portugueses, é tido como o supra-sumo da classe política nacional. António Costa é, pois, a prova viva da tese de Emídio Rangel: os sabonetes, na política Pátria, vencem sempre!
1. Nas equipas de futebol, quando não há liderança e gestão estratégica, as individualidades começam a querer vencer os jogos através de jogadas individuais brilhantes cada uma fazendo o que consideram mais correcto. Na política, e no interior dos Governos, a realidade é idêntica: quando não gestão política estratégica, não há uma liderança forte e carismática do líder, então começam os vários Ministros a querer assumir a liderança e a resolver individualmente o jogo, isto é, a capitalizar as suas iniciativas públicas (as mais favoráveis) para a sua popularidade, equacionando os seus voos políticos, num futuro mais ou menos longínquo. É o que se passa actualmente com o Governo de Passos Coelho. Basta analisar com atenção as várias entrevistas dadas esta semana pela Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz.