domingo, 25 jan. 2026

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A voz humana - uma nova forma de literatura

“Impressionante!”,  “poderoso!”, “fantástico!”, “tens de ler isto”. À medida que ia percorrendo as páginas do livro, o meu amigo soltava elogios entusiásticos. O livro que ele tinha entre as mãos chamava-se O Fim do Homem Soviético (Porto Editora) e era assinado por uma escritora bielorrussa com um nome difícil de pronunciar. Perguntei-lhe do que tratava e ele explicou-me que era uma coleção de depoimentos sobre a antiga União Soviética - de filhos que haviam denunciado pais, de vítimas do regime, de pessoas comuns, de homens que haviam sido presos, humilhados ou torturados e ainda assim tinham permanecido, até ao final, fiéis aos ideais comunistas. Fiquei muito curioso, pois esse amigo, apesar de estar bem informado sobre aquele período, disse-me que nunca lera nada parecido.
A voz humana - uma nova forma de literatura

As minhas canetas

Costuma dizer-se que ‘cada maluco tem a sua mania’. Pois na minha família temos a mania das canetas. Já o meu avô paterno a tinha (lembro-me de ver na sua secretária uma boa dúzia delas, o que na altura me fez alguma confusão), o meu pai também – e eu não fujo à regra.

Os melhores e os piores prefácios

Recordo-me como se fosse hoje. Vinha no autocarro de regresso a casa, encantado com a minha aquisição feita minutos antes na Livraria Buchholz, mas entretanto encontrei um amigo que não via há imenso tempo e nem tirei o livro do saco. De resto, pelo seu carácter mais ou menos luxuoso (a capa de couro macio protegida por acetado, o papel-bíblia), era o tipo de coisa cujo manuseamento não se coadunava com um banco de autocarro. Merecia um ambiente mais solene.

O engenhoso fidalgo D. Miguel de Cervantes

Cumprem-se por esta altura 400 anos certos da publicação da segunda parte de D. Quixote (a dedicatória está datada do «último de Outubro de mil seiscentos e quinze»). A primeira parte do livro fora um enorme sucesso popular, ao ponto de logo em 1605 começarem a aparecer novas edições – duas delas, hoje raríssimas, na cidade de Lisboa. Alguns anos volvidos, surgia a continuação das aventuras de D. Quixote e Sancho Pança – não pela mão do autor original, mas pela de um oportunista. Cervantes não teve outro remédio senão escrever ele próprio uma versão legítima. Fê-lo contrariado, mas era a única forma de pôr tudo em pratos limpos.

O que hei-de oferecer ao meu filho nos anos?

O sexto aniversário do Mateus (o nosso filho mais velho) aproxima-se a passos largos e ainda não decidimos o que havemos de lhe oferecer.

Malditas listas

As listas de livros obrigatórios… Deve haver centenas delas, talvez milhares, todas diferentes entre si. Obviamente o ‘obrigatório’ varia de país para país, de época para época, de profissão para profissão. Varia, até, de pessoa para pessoa.

Você gosta de poesia?

     

O subcomissário que 'varreu' três gerações de benfiquistas

Há seis anos, quando Jorge Jesus conquistou o primeiro campeonato pelo Benfica, dirigi-me à Praça do Município para saudar a equipa.

Era uma vez um museu

Era uma vez um museu em Belém. Todos os anos recebia  aproximadamente 200 mil pessoas, o que fazia dele o segundo mais visitado do país. Aparecia em todos os guias turísticos como uma atracção a não perder. Destacavam a sua magnífica colecção, mas também o belo edifício em que estava instalado. Concebido originalmente como um picadeiro real em finais do século XVIII, proporcionava um cenário perfeito para as carruagens em exposição. Todos ficavam deslumbrados com o enorme salão, os estuques, os tectos pintados. Juntos, o edifício e a colecção formavam uma dupla imbatível.

O prazer de ser desmancha-prazeres

Muitos de nós, quando queremos aprender mais sobre um assunto, vamos à procura de um livro que nos possa informar. E, mediante a oferta disponível, escolhemos uma obra que dê garantias. Normalmente essas garantias aparecem no texto da contracapa ou da badana, onde se assegura que a obra foi escrita por 'um dos maiores especialistas' na matéria. Por mais de uma vez já fui atrás desse rótulo. E por mais de uma vez me arrependi.

Acredito em magia, mas não no ilusionismo

Quando eu era criança gostava de espreitar o interior dos livros que havia em casa dos meus pais. Fazia a minha escolha com base nas capas: alguns livros tinham capas que prometiam muito, mas depois acabavam por revelar-se decepcionantes; outros, pelo contrário, continham no interior belas imagens. Como eu ainda não sabia ler, era justamente isso que me interessava.

Ainda vale a pena ler romances?

Talvez não seja de muito bom tom mas, sempre que entro na casa de alguém pela primeira vez, gosto de espreitar as estantes dos livros. Discreta mas atentamente. Trata-se de um exercício de voyeurismo que me permite aferir os interesses, os gostos e até um pouco da personalidade do meu anfitrião - uma espécie de 'diz-me o que lês e dir-te-ei quem és'.
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