“Impressionante!”, “poderoso!”, “fantástico!”, “tens de ler isto”. À medida que ia percorrendo as páginas do livro, o meu amigo soltava elogios entusiásticos. O livro que ele tinha entre as mãos chamava-se O Fim do Homem Soviético (Porto Editora) e era assinado por uma escritora bielorrussa com um nome difícil de pronunciar. Perguntei-lhe do que tratava e ele explicou-me que era uma coleção de depoimentos sobre a antiga União Soviética - de filhos que haviam denunciado pais, de vítimas do regime, de pessoas comuns, de homens que haviam sido presos, humilhados ou torturados e ainda assim tinham permanecido, até ao final, fiéis aos ideais comunistas. Fiquei muito curioso, pois esse amigo, apesar de estar bem informado sobre aquele período, disse-me que nunca lera nada parecido.