quinta-feira, 12 mar. 2026

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A ameaça dos mercados

Um dos argumentos mais repetidos pela esquerda como arma de arremesso contra os adversários do acordo PS-PCP-BE tem sido o de que não se pode invocar a ameaça dos mercados financeiros para desaconselhar tal acordo porque isso é reconhecer e aceitar uma insuportável limitação da democracia portuguesa. É fácil gritar contra a ingerência dos mercados e as ‘políticas de submissão’, humilhantes para qualquer cidadão que preze a independência do seu país. Mais difícil é dizer aonde se vai buscar o dinheiro para satisfazer as necessidades básicas do Estado.

A derrota de Cavaco… e de Soares

Por mais que a apresentação no Parlamento de um Governo PSD/CDS se afigure «uma perda de tempo», como dizem os parceiros da promitente aliança de esquerda que se propõe derrubá-lo, ninguém compreenderia que se negasse à coligação a oportunidade de tentar fazer passar esse Governo.

O mistério dos indecisos

É difícil conceber uma campanha que contribua mais para confundir do que para esclarecer os eleitores e ajudá-los a decidir em quem votar. Mas é assim que no-la apresentam as sondagens. Supondo-se que os sondados não se mancomunaram para trocar as voltas aos sondadores, o crescimento contínuo do ‘partido’ dos indecisos, à medida que se aproxima a hora do voto, é o grande mistério desta campanha.

O amável Jerónimo

Jerónimo de Sousa está na política ativa desde a Assembleia Constituinte e isso nota-se. Não pelos cabelos brancos e outros sinais da idade que nos marcam a todos os que vivemos esse período, mas porque o seu discurso de hoje - e, sobretudo, a sua linguagem - pouco se distingue do de há quarenta anos.

O tamanho não é tudo

As eleições legislativas mais concorridas de sempre, com 20 candidaturas envolvendo 23 partidos, dos quais sete se apresentam pela primeira vez, deviam ser também as mais disputadas de sempre, aquelas em que o confronto de ideias e de propostas tomaria conta do espaço público, concentrando a atenção do país e mobilizando os eleitores para um voto esclarecido. Tantas cabeças pensantes e ambições à solta deviam ser uma promessa de revitalização da democracia num país com um presente difícil e um futuro mais do que incerto. Para não falar do mundo ameaçado pela barbárie e pela ganância, ambas geradoras da miséria e da desumanidade que estão a comprometer a paz, bem como os avanços civilizacionais alcançados no continente em que, apesar de tudo, temos o privilégio de viver.

Belém e a partidarite

Qualquer cidadão maior de 35 anos e no uso dos seus direitos políticos pode candidatar-se a Presidente da República, desde que reúna as assinaturas de 7.500 proponentes. É o que diz a lei. Tratando-se de uma eleição individual, é também aquela que, no ordenamento político em vigor, melhor responde à afirmação da cidadania, sem tutelas nem intermediários.

Marinho e a Igreja Maná

O jornalista António Marinho, que passou a ser conhecido por Marinho e Pinto quando chegou a bastonário da Ordem dos Advogados, depois deputado ao Parlamento Europeu em nome do Partido da Terra, do qual se afastou, assim que se viu eleito, para fundar o Partido Democrático e Republicano (PDR), mantendo, porém, a sua cadeira em Estrasburgo, bem como o vencimento e as mordomias que considera escandalosas, é um homem com qualidades. Não tantas como as que se atribui, é certo, e muito menos aquela que, entre todas, considera a mais necessária num líder político: “Humildade”. Foi o que disse, numa entrevista ao Público, em vésperas de ser eleito presidente do PDR, o partido que, no próprio acto fundador, terá estado a um passo de ser tomado pela Igreja Maná.

O Benfica, a PSP e a festa

O presidente do Benfica, ou alguém por ele, convidou para o jogo do próximo domingo, a família agredida em Guimarães por um elemento da PSP cujo comportamento provocou justificada indignação e revolta. Um comportamento indigno de um agente policial, e ainda mais de um graduado, que não pode deixar de ter consequências, sob pena de toda a corporação e o poder político que a tutela se tornarem cúmplices, aos olhos do país, desse acto de brutalidade gratuita e de flagrante abuso de autoridade.

A fé de Pedro e Paulo

O surpreendente resultado das eleições inglesas deu um novo alento à coligação no poder em Portugal, cujos líderes se apressaram a comparar as situações dos dois países e a colar-se ao grande vencedor da noite: Passos felicitando o seu colega David Cameron com uma proximidade e uma sintonia políticas mais ou menos insuspeitadas até agora, Portas lembrando que o seu partido mantém com os tories uma amizade de mais de 40 anos. Como se o velho CDS de Freitas do Amaral e Amaro da Costa tivesse alguma coisa a ver com o CDS, depois PP e de novo CDS, que foi mudando de orientação política e programática conforme os líderes que se sucederam até chegar às mãos de Paulo Portas e do seu grupo de fiéis.

Na morte de Bia

A presidente do Instituto da Criança diz que a família, em geral considerada “um lugar de afectos”, é, em muitos casos, um “lugar de tormento”. Dulce Rocha sabe do que fala e as notícias dos últimos dias dão-lhe inteira razão. Em menos de uma semana, um bebé de seis meses foi assassinado pelo próprio pai ou, talvez melhor, pelo que calhou ser o seu progenitor. E uma menina de dois anos, Bia, como lhe chamavam, sucumbiu, já no hospital, a agressões de que terá sido vítima às mãos do padrasto.

A hora de Mariana

O inquérito parlamentar às trafulhices milionárias do caso BES/PT trouxe para a ribalta uma deputada que já dera nas vistas por outros motivos, mas que obteve ali a consagração pública, justa e merecida. O seu desempenho recebeu elogios de todos os quadrantes, granjeou-lhe o respeito dos pares e o mal disfarçado temor dos inquiridos, alguns dos quais lhe renderam homenagem, em plena sessão, pela solidez da sua preparação e pelo conhecimento profundo do dossiê em análise.
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