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O cardeal José Tolentino de Mendonça alertou esta segunda-feira para os riscos associados à Inteligência Artificial (IA), defendendo que a humanidade atravessa um momento “fascinante”, mas também potencialmente perigoso, que pode conduzir a uma nova forma de civilização marcada pela perda de liberdade.
“Há o risco do fim da humanidade e o nascimento de uma nova civilização em que a maioria de nós será escravo”, afirmou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, durante uma conferência do encontro “Vaticano in loco”, realizada em Roma com jornalistas portugueses.
Segundo o cardeal, a transformação tecnológica em curso pode ser comparada a momentos históricos decisivos, como a transição das sociedades orais para a escrita, sublinhando o impacto profundo e imprevisível destas mudanças.
Segundo a agência Lusa, o responsável da Santa Sé destacou várias preocupações associadas à IA, incluindo as assimetrias no acesso e utilização, a falta de responsabilização das grandes plataformas, a opacidade dos sistemas e o risco de despedimentos em massa.
A reflexão surge num contexto em que o atual Papa, Leão XIV, tem vindo a alertar para os efeitos da tecnologia na sociedade, à semelhança do que fez Leão XIII no século XIX ao abordar as condições dos trabalhadores durante a Revolução Industrial.
Citando o pontífice, Tolentino de Mendonça sublinhou que a Igreja não deve ceder a “tecnofobias inúteis”, nem rejeitar a inovação. “Não se trata de construir uma aldeia do Astérix contra a tecnologia”, afirmou, defendendo antes um debate sério e informado sobre os limites e usos da IA.
O cardeal português considerou que a humanidade vive um “momento muito crítico” e que a Igreja procura desempenhar um papel de mediação, garantindo que o desenvolvimento tecnológico respeita princípios éticos e morais.
“A IA é a questão do momento porque é aquela que vai ter maior incidência na transformação das nossas vidas”, disse, insistindo na necessidade de encontrar um equilíbrio entre o potencial da tecnologia e os riscos que representa.
Entre as “linhas vermelhas” apontadas pela Igreja Católica estão a defesa da dignidade da pessoa humana e a preservação da vocação humana, princípios que devem orientar o desenvolvimento e aplicação da IA.
Na mesma intervenção, o cardeal abordou ainda o impacto das novas tecnologias na amplificação do discurso de ódio, reafirmando que a Igreja continuará a defender a igualdade entre todos os seres humanos e a rejeitar divisões promovidas por interesses políticos.
Tolentino de Mendonça destacou também o papel do Papa Leão XIV na defesa da paz, sublinhando que este deve ser um valor central, a par de outros desafios globais como a precariedade, as alterações climáticas e a pobreza.