terça-feira, 16 jun. 2026

Quase metade dos jovens acredita que a Inteligência Artificial vai tornar as pessoas mais felizes

Quase metade dos jovens adultos acredita que, dentro de uma década, a Inteligência Artificial contribuirá para a felicidade das pessoas, oferecendo até apoio emocional genuíno. Um novo estudo internacional revela, porém, fortes diferenças geracionais e culturais na forma como a tecnologia é encarada
Quase metade dos jovens acredita que a Inteligência Artificial vai tornar as pessoas mais felizes

Quase metade dos jovens adultos de seis das maiores economias mundiais acredita que a inteligência artificial (IA) terá um impacto positivo na felicidade das pessoas durante a próxima década, podendo mesmo fornecer apoio emocional considerado genuíno.

A conclusão resulta de um inquérito internacional realizado pelo Instituto YouGov e divulgado esta semana, envolvendo cerca de 10.000 participantes dos EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Indonésia e Hong Kong.

Segundo os resultados, 49% dos jovens adultos acreditam que a IA ajudará a melhorar o bem-estar humano nos próximos dez anos. Entre os inquiridos com mais de 55 anos, essa percentagem cai para 25%.

O estudo, revelado pela agência France-Presse (AFP), traça um retrato das mudanças na relação entre as pessoas e as tecnologias de IA, numa altura em que os assistentes virtuais e os chatbots ganham cada vez mais utilizadores.

Gerações mais velhas mostram maior ceticismo

Os investigadores identificaram um contraste significativo entre gerações, com os mais jovens a demonstrarem maior abertura à integração da IA em aspetos emocionais da vida quotidiana.

Já os participantes mais velhos revelam níveis mais elevados de desconfiança relativamente ao papel que estas tecnologias poderão desempenhar no futuro.

O estudo surge também num contexto de crescente debate sobre os efeitos psicológicos dos sistemas de IA, sobretudo entre utilizadores mais vulneráveis.

Nos últimos meses, vários casos mediáticos levaram especialistas e autoridades a analisar o impacto que as interações prolongadas com chatbots podem ter na saúde mental de adolescentes e jovens adultos.

Uma das conclusões do inquérito é a existência de diferenças significativas entre países ocidentais e asiáticos. Segundo os autores, os participantes asiáticos demonstram uma maior predisposição para aceitar a presença da Inteligência Artificial em áreas ligadas às relações pessoais, emocionais e afetivas.

Na Indonésia, por exemplo, cerca de metade dos inquiridos acredita que a IA poderá melhorar as relações interpessoais e o bem-estar sexual. Em Hong Kong, essa percentagem é de 34%, enquanto no Japão atinge 24%.

Nos países ocidentais, os números são mais baixos: 20% nos EUA, 15% na Alemanha e apenas 9% no Reino Unido.

Para Philippe Chan, da YouGov, os resultados mostram uma diferença cultural relevante na forma como a tecnologia é percecionada.

"Enquanto a opinião pública ocidental geralmente perceciona a intimidade artificial como uma ameaça à autenticidade das relações humanas, o público asiático parece cada vez mais disposto a abrir espaço para a IA nas suas vidas", afirmou.

Maioria rejeita interação física com robôs

Apesar da crescente aceitação das interações digitais com sistemas de Inteligência Artificial, a passagem para formas físicas de interação continua a encontrar forte resistência.

Apenas 17% dos participantes afirmaram estar dispostos a experimentar dispositivos equipados com IA destinados a relações íntimas, enquanto 59% rejeitaram categoricamente essa possibilidade.

Ainda assim, a aceitação é mais elevada entre os jovens adultos do que entre as gerações mais velhas.

No Japão e na Alemanha, a proporção de jovens que admite experimentar estas tecnologias é quase o dobro da média nacional, refletindo uma maior abertura às inovações tecnológicas associadas à vida pessoal.

Os autores do estudo consideram que os resultados refletem um "cenário moral em constante transformação", marcado pelo avanço acelerado da IA e pela crescente integração destas ferramentas na vida quotidiana.