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Quase metade dos jovens adultos de seis das maiores economias mundiais acredita que a inteligência artificial (IA) terá um impacto positivo na felicidade das pessoas durante a próxima década, podendo mesmo fornecer apoio emocional considerado genuíno.
A conclusão resulta de um inquérito internacional realizado pelo Instituto YouGov e divulgado esta semana, envolvendo cerca de 10.000 participantes dos EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Indonésia e Hong Kong.
Segundo os resultados, 49% dos jovens adultos acreditam que a IA ajudará a melhorar o bem-estar humano nos próximos dez anos. Entre os inquiridos com mais de 55 anos, essa percentagem cai para 25%.
O estudo, revelado pela agência France-Presse (AFP), traça um retrato das mudanças na relação entre as pessoas e as tecnologias de IA, numa altura em que os assistentes virtuais e os chatbots ganham cada vez mais utilizadores.
Gerações mais velhas mostram maior ceticismo
Os investigadores identificaram um contraste significativo entre gerações, com os mais jovens a demonstrarem maior abertura à integração da IA em aspetos emocionais da vida quotidiana.
Já os participantes mais velhos revelam níveis mais elevados de desconfiança relativamente ao papel que estas tecnologias poderão desempenhar no futuro.
O estudo surge também num contexto de crescente debate sobre os efeitos psicológicos dos sistemas de IA, sobretudo entre utilizadores mais vulneráveis.
Nos últimos meses, vários casos mediáticos levaram especialistas e autoridades a analisar o impacto que as interações prolongadas com chatbots podem ter na saúde mental de adolescentes e jovens adultos.
Uma das conclusões do inquérito é a existência de diferenças significativas entre países ocidentais e asiáticos. Segundo os autores, os participantes asiáticos demonstram uma maior predisposição para aceitar a presença da Inteligência Artificial em áreas ligadas às relações pessoais, emocionais e afetivas.
Na Indonésia, por exemplo, cerca de metade dos inquiridos acredita que a IA poderá melhorar as relações interpessoais e o bem-estar sexual. Em Hong Kong, essa percentagem é de 34%, enquanto no Japão atinge 24%.
Nos países ocidentais, os números são mais baixos: 20% nos EUA, 15% na Alemanha e apenas 9% no Reino Unido.
Para Philippe Chan, da YouGov, os resultados mostram uma diferença cultural relevante na forma como a tecnologia é percecionada.
"Enquanto a opinião pública ocidental geralmente perceciona a intimidade artificial como uma ameaça à autenticidade das relações humanas, o público asiático parece cada vez mais disposto a abrir espaço para a IA nas suas vidas", afirmou.
Maioria rejeita interação física com robôs
Apesar da crescente aceitação das interações digitais com sistemas de Inteligência Artificial, a passagem para formas físicas de interação continua a encontrar forte resistência.
Apenas 17% dos participantes afirmaram estar dispostos a experimentar dispositivos equipados com IA destinados a relações íntimas, enquanto 59% rejeitaram categoricamente essa possibilidade.
Ainda assim, a aceitação é mais elevada entre os jovens adultos do que entre as gerações mais velhas.
No Japão e na Alemanha, a proporção de jovens que admite experimentar estas tecnologias é quase o dobro da média nacional, refletindo uma maior abertura às inovações tecnológicas associadas à vida pessoal.
Os autores do estudo consideram que os resultados refletem um "cenário moral em constante transformação", marcado pelo avanço acelerado da IA e pela crescente integração destas ferramentas na vida quotidiana.