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Já deve ter reparado nela. Uma pequena letra "N" que surge no topo do ecrã do telemóvel, entre o sinal de rede e o ícone da bateria, sem grande explicação. Para a maioria dos utilizadores, passa despercebida. Para quem sabe o que significa, é uma das funcionalidades mais práticas do smartphone moderno.
Esse símbolo representa o NFC, sigla de Near Field Communication, ou, em português, Comunicação de Campo Próximo. Trata-se de uma tecnologia sem fios que permite a troca de dados entre dois dispositivos que estejam a poucos centímetros de distância, geralmente a menos de 15 centímetros, conforme explica a myPOS. O princípio de funcionamento baseia-se na indução eletromagnética: dois dispositivos com antenas em espiral criam um campo magnético quando aproximados, o que permite a transmissão de informação de forma quase instantânea. É precisamente o alcance reduzido que torna esta tecnologia segura para operações sensíveis como pagamentos ou validação de acessos.
Para que serve o NFC no dia a dia em Portugal?
A utilização mais conhecida é nos pagamentos móveis. Ao aproximar o telemóvel ou o smartwatch de um terminal de pagamento compatível, a transação é concluída em segundos, sem necessidade de introduzir cartão ou marcar código. Em Portugal, este tipo de pagamento por aproximação está integrado no MB WAY, a aplicação da SIBS, e funciona tanto em Android como, desde julho de 2025, em iPhone, após a Apple ter sido obrigada a abrir a tecnologia NFC a terceiros no espaço europeu ao abrigo do Regulamento dos Mercados Digitais da União Europeia.
E nos transportes públicos, já é possível?
Sim. O MB WAY já permite comprar bilhetes de bordo por aproximação ou QR Code na Carris, na STCP e na MTS, o metro de superfície dos concelhos de Almada e Seixal, conforme indicado no site oficial do MB WAY. Além disso, a aplicação CARRISway, disponível para Android e iOS com NFC, permite carregar o passe navegante encostando o cartão à parte traseira do telemóvel, como indica a DECO Proteste.
O novo Cartão de Cidadão também usa esta tecnologia?
Sim, e é uma novidade recente. Desde 11 de junho de 2024, o Cartão de Cidadão português passou a incluir um chip contactless, ou seja, legível por aproximação com tecnologia NFC, em conformidade com o regulamento europeu para documentos de identificação. De acordo com o Governo português, este chip contém três aplicações: identificação, viagem e verificação biométrica. Nos pórticos de embarque dos aeroportos do espaço Schengen, o cartão pode agora ser lido por aproximação para validar a identidade, tal como acontece com o passaporte eletrónico. A leitura permanece protegida pelo número CAN, um código de seis dígitos impresso no cartão, que tem de ser introduzido antes de qualquer acesso ao chip.
Serve para mais alguma coisa?
Sim. O NFC permite também o emparelhamento automático de auscultadores, colunas Bluetooth ou outros acessórios sem necessidade de configurações manuais: basta aproximar os dois dispositivos. Também pode ser usado para partilhar contactos, ligações ou senhas de Wi-Fi entre smartphones próximos.
Deve deixar o NFC ativado?
Esta é uma das dúvidas mais comuns. De acordo com o NFC Forum, a organização que define os padrões globais da tecnologia, o consumo energético do NFC é muito reduzido, uma vez que o módulo só entra em funcionamento quando deteta um dispositivo compatível nas proximidades. Além disso, qualquer operação exige sempre uma autenticação ativa do utilizador, o que limita significativamente o risco de utilizações indevidas. Nos telemóveis Android, é possível desligar o NFC nas definições. No iPhone, essa opção não está disponível.