segunda-feira, 17 ago. 2026

Músicas criadas com Inteligência Artificial vão passar a ter identificação nos serviços de streaming

As principais organizações da indústria musical anunciaram a criação de um sistema de identificação para informar os utilizadores quando uma música foi criada por Inteligência Artificial ou recorreu a IA no processo de produção. O objetivo é aumentar a transparência nas plataformas de streaming, numa altura em que cresce o número de canções geradas por tecnologia
Músicas criadas com Inteligência Artificial vão passar a ter identificação nos serviços de streaming

Os consumidores vão passar a saber se uma música foi criada total ou parcialmente com recurso à Inteligência Artificial (IA). A novidade foi anunciada esta sexta-feira pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), que apresentou um sistema de rotulagem destinado a aumentar a transparência nos serviços de streaming.

A iniciativa resulta de uma parceria entre várias organizações internacionais da indústria da música e pretende dar aos ouvintes informação clara sobre o papel desempenhado pela IA na criação de uma gravação.

Duas etiquetas para distinguir o papel da IA

O novo sistema assenta em dois rótulos visuais que poderão acompanhar as músicas disponibilizadas nas plataformas digitais.

A etiqueta "Criada por IA" será utilizada quando a maioria ou a totalidade dos elementos da gravação — incluindo voz, composição ou interpretação — tiver sido gerada através de ferramentas de Inteligência Artificial.

Já o selo "Com a ajuda de IA" será aplicado às obras criadas maioritariamente por artistas humanos, mas que recorreram à Inteligência Artificial generativa para desenvolver alguns elementos criativos ou expressivos.

Segundo a IFPI, estas identificações foram concebidas para permitir aos utilizadores perceber rapidamente de que forma a tecnologia foi utilizada na produção musical e deverão evoluir à medida que a própria IA se desenvolve.

Iniciativa reúne grandes organizações da música

Além da IFPI, o projeto reúne várias entidades de referência do setor, entre as quais a academia responsável pelos prémios Grammy, o sindicato norte-americano SAG-AFTRA, a organização europeia IMPALA e a Associação Norte-Americana da Indústria Discográfica (RIAA).

As organizações comprometem-se agora a trabalhar em conjunto com as plataformas de streaming e distribuidores digitais para promover a adoção generalizada deste sistema de identificação.

Segundo Vikki Oakley, presidente executiva da IFPI, e Mitch Glazier, presidente da RIAA, os consumidores querem ter informação transparente sobre a origem das músicas que ouvem.

"Os fãs querem saber como e se a IA generativa está a ser utilizada na música que ouvem", sublinham os responsáveis, citados em comunicado.

Cresce o número de músicas geradas por IA

A criação deste sistema surge numa altura em que a Inteligência Artificial assume um peso crescente na produção musical.

Em abril, a plataforma de streaming Deezer revelou que 44% das músicas adicionadas ao seu catálogo online eram geradas por Inteligência Artificial.

Por sua vez, a Apple Music estimou que uma em cada três músicas disponíveis no serviço era totalmente criada por IA, evidenciando a rapidez com que esta tecnologia está a transformar a indústria discográfica.

Com a nova rotulagem, o setor pretende reforçar a transparência perante os consumidores, permitindo distinguir entre obras criadas integralmente por Inteligência Artificial e aquelas em que a tecnologia funciona apenas como ferramenta de apoio ao processo criativo humano.