terça-feira, 18 ago. 2026

EUA ameaçam sancionar empresas chinesas por alegado roubo de tecnologia de IA

Os EUA ameaçam sancionar empresas chinesas se investigação confirmar roubo de propriedade intelectual de empresas norte-americanas de inteligência artificial
EUA ameaçam sancionar empresas chinesas por alegado roubo de tecnologia de IA

Os Estados Unidos poderão impor sanções a empresas chinesas caso uma investigação em curso conclua que houve roubo de propriedade intelectual de empresas norte-americanas de inteligência artificial (IA). O aviso foi deixado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que acusou empresas chinesas de poderem ter recorrido a tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos para acelerar os seus próprios modelos.

"Se constatarmos, principalmente, que os modelos estrangeiros estão a roubar as nossas grandes empresas, temos a capacidade de as sancionar por isso", afirmou Bessent, numa entrevista à Fox Business.

O secretário do Tesouro garantiu que Washington não vai tolerar alegados casos de apropriação indevida de propriedade intelectual e afirmou que já foram encontradas provas da presença de capacidades de modelos de IA norte-americanos em sistemas desenvolvidos na China. Segundo Bessent, as conclusões da investigação deverão ser conhecidas "nos próximos dias ou semanas".

A análise está relacionada com a chamada técnica de "destilação", um método através do qual um modelo de inteligência artificial mais pequeno aprende a reproduzir o comportamento e as capacidades de um sistema mais avançado com base nas respostas que este produz.

Empresas chinesas são acusadas de replicar modelos de IA norte-americanos

Empresas norte-americanas do setor, incluindo a Anthropic, têm afirmado que algumas empresas chinesas recorreram a técnicas de destilação para reproduzir, sem autorização, capacidades dos seus modelos de inteligência artificial.

Entre as empresas apontadas estão a DeepSeek, a Moonshot AI e a MiniMax. As acusações surgem num momento de forte competição entre os Estados Unidos e a China pela liderança mundial no desenvolvimento de inteligência artificial.

A disputa intensificou-se depois de várias empresas chinesas apresentarem modelos capazes de rivalizar, em determinados testes e métricas, com sistemas desenvolvidos por empresas norte-americanas como a Anthropic e a OpenAI.

Novo modelo chinês provoca receios nos mercados

Entre os novos protagonistas está a startup Moonshot AI, que apresentou na passada sexta-feira o Kimi K3, um modelo que, segundo a empresa, supera soluções da OpenAI e da Anthropic em alguns dos testes de desempenho mais utilizados pela indústria.

O lançamento contribuiu para uma queda das ações em Wall Street, sobretudo entre empresas ligadas ao setor dos semicondutores, perante os receios de que o avanço dos modelos chineses possa aumentar a pressão sobre as margens das empresas tecnológicas.

A Moonshot AI afirma que o Kimi K3 dispõe de 2,8 biliões de parâmetros, uma métrica utilizada para medir a dimensão e a complexidade de um modelo durante o processo de treino. O valor anunciado é superior ao de outros modelos chineses de código aberto, como o DeepSeek V4 Pro, com 1,6 biliões de parâmetros, ou a série GLM-5, da Zhipu AI, com 744 mil milhões.

A consultora Artificial Analysis classificou o desempenho do Kimi K3 num nível comparável ao do Claude Opus 4.8 e do GPT-5.5, embora, segundo a mesma avaliação, fique atrás dos modelos considerados de topo em desempenho global.

EUA e China disputam liderança na inteligência artificial

Apesar de as empresas norte-americanas continuarem na liderança do desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados, a China tem vindo a reduzir a distância.

Empresas como a DeepSeek, Alibaba, Tencent e Moonshot AI têm acelerado o desenvolvimento de sistemas capazes de competir em diferentes áreas, incluindo alguns modelos disponibilizados em código aberto.

A possibilidade de aplicação de sanções por parte de Washington poderá aumentar ainda mais as tensões tecnológicas entre as duas maiores economias mundiais. O resultado da investigação sobre o alegado uso indevido de propriedade intelectual será determinante para perceber se os Estados Unidos avançarão com medidas contra empresas chinesas.

Para já, as declarações de Scott Bessent colocam novamente a propriedade intelectual e a transferência de tecnologia no centro da disputa entre Washington e Pequim pela liderança da inteligência artificial.