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A Google revelou esta quarta-feira que um grupo de piratas informáticos ligado à Coreia do Norte comprometeu o popular software Axios, podendo ter exposto “centenas de milhares” de dados confidenciais.
O alerta foi emitido pelo Grupo de Inteligência de Ameaças da empresa tecnológica, que está a acompanhar um ataque ativo identificado na terça-feira, direcionado a duas versões da ferramenta amplamente utilizada por programadores e empresas.
O Axios é uma biblioteca que permite a comunicação entre aplicações e servidores, sendo um componente essencial em milhares de serviços digitais. Segundo a Google, as versões afetadas registam mais de 100 milhões e 83 milhões de descarregamentos semanais, respetivamente.
De acordo com a empresa de cibersegurança Wiz, o Axios está presente em cerca de 80% dos ambientes de serviços na nuvem, o que amplifica o impacto potencial do ataque.
A operação foi atribuída ao grupo UNC1069, associado a atividades de cibercrime patrocinadas pela Coreia do Norte. Este tipo de ataque explora vulnerabilidades em componentes de código aberto, tirando partido da confiança generalizada nestas ferramentas para se propagar rapidamente.
Embora as versões comprometidas tenham sido removidas poucas horas após a deteção, a sua disseminação prévia levanta preocupações quanto à dimensão da exposição.
Risco de novos ataques e roubo de dados
Os investigadores da Google alertam que “centenas de milhares de segredos roubados podem estar a circular”, o que pode desencadear novos ataques à cadeia de fornecimento de software, roubo de criptomoedas e ações de ransomware.
Este tipo de ataque consiste no bloqueio ou destruição de dados até ao pagamento de um resgate, sendo uma das principais ameaças digitais à escala global.
O incidente insere-se numa estratégia mais vasta de grupos ligados a Pyongyang, como o Grupo Lazarus, conhecidos por operações de extorsão, espionagem e roubo financeiro, especialmente no setor das criptomoedas.
A Google recomenda às organizações que utilizam Axios que verifiquem imediatamente os seus sistemas e atualizem as versões afetadas, de forma a mitigar riscos adicionais.