quinta-feira, 14 mai. 2026

Apple. Os 50 anos da gigante tecnológica que mudou o mundo

Quando três amigos, numa garagem na Califórnia, tiveram a ideia de criar o seu próprio computador, nunca pensaram que estariam a fazer nascer uma das empresas mais valiosas do mundo. 50 anos depois, a VERSA conta-lhe de que forma surgiu a ideia, qual a evolução dos seus produtos e a importância que tem a empresa na história da tecnologia.  
Apple. Os 50 anos da gigante tecnológica que mudou o mundo

Há 50 anos, numa pequena garagem na Califórnia, nascia uma ideia que revolucionaria a maneira como vemos e vivemos a tecnologia. Steve Jobs, de 21 anos na altura, era um visionário apaixonado por tecnologia e Steve Wozniak, de 25, um génio da eletrónica que tinha o sonho de construir o seu próprio computador pessoal. Já Ronald Wayne, o mais velho do grupo (tinha 41 anos), engenheiro na empresa de videojogos Atari, era o mais experiente e, por isso, conseguia orientar mais facilmente projetos. 

Antes da criação daquela que viria a ser uma das empresas mais valiosas do mundo, conhecida por produtos inovadores como o iMac, o iPhone e o iPod, que  transformou o mundo dos computadores e dos telemóveis e já chegou a ter mais dinheiro do que o Governo dos EUA, os dois amigos mais novos já haviam criado as chamadas blue boxes – dispositivos que permitiam fazer chamadas telefónicas gratuitas enganando o sistema. Wozniak foi o responsável por construir o aparelho, já Jobs sabia perfeitamente a melhor maneira de vender o produto. 

Uma ideia visionária 

Em 1976, de forma mais ambiciosa, Wozniak, engenheiro eletrónico, desenhou um computador que se distinguia de tudo o que existia e que viria a ser o Apple I. O jovem inspirou-se no Altair 8800, o primeiro microcomputador comercialmente bem-sucedido, lançado um ano antes. Não tinha a ideia de ganhar dinheiro. Porém, mais uma vez, o seu amigo Jobs viu mais além. «As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que o fazem», disse Steve Jobs, criando assim uma das frases considerada símbolo da Apple. «O progresso começa sempre com alguém, um inventor ou cientista, uma estudante ou contador de histórias que imagina uma ideia nova, um caminho diferente», lê-se hoje no site oficial da marca. 

Para materializar a ideia e criar uma empresa que a sustentasse, os dois jovens desfizeram-se de alguns bens pessoais: Steve Jobs vendeu a sua carrinha, enquanto Steve Wozniak se desfez da sua calculadora (na altura valeu 700 euros). A partilha da empresa seria a seguinte: Jobs e Wozniak ficariam, cada um, com 45%, enquanto Wayne teria direito a 10% das ações. Foi este último que esboçou à mão o primeiro logótipo da Apple. O desenho mostrava Isaac Newton sentado debaixo de uma árvore e uma maçã prestes a cair sobre a sua cabeça. A imagem era demasiado complexa, possuía ainda uma uma moldura ornamentada ao estilo clássico e um poema de William Wordsworth à volta, que dizia: «Newton (…) uma mente sempre viajando pelos estranhos mares do pensamento». 

De acordo com o Britannica Money, sob a liderança do investidor da Intel Corporation, Armas Clifford, Mike Markkula, a empresa apresentou então o seu primeiro produto, o Apple I. Vendido por cerca de 666,66 dólares, o computador era uma placa-mãe básica com uma CPU simples, memória RAM e recursos de vídeo, mas sem teclado ou monitor. Mesmo sendo bastante modesto, a criação inaugural da empresa marcou o primeiro sucesso da startup de garagem com a venda de 200 unidades nesse mesmo ano. 

Mas, quando as coisas começaram a ganhar forma, Wayne temeu que, se tudo corresse mal, fosse ele o principal afetado financeiramente. E, por isso, apenas 12 dias depois, tomou uma decisão que ainda hoje é vista como uma das «mais famosas oportunidades perdidas da história da tecnologia»: saiu da empresa, vendendo a sua parte por apenas cerca de 800 dólares. 

A escolha do logótipo

Segundo o InvestNews, em 1977, Steve Jobs contratou o designer gráfico Rob Janoff, que também trabalhou para outras empresas do ramo da tecnologia, para criar outro logótipo para a empresa, e assim nasceu a primeira versão da clássica maçã mordida. Porquê uma maçã? Existem várias teorias: uma delas afirma que os fundadores da empresa queriam um nome que começasse com a letra «A» para posicionar a marca à frente dos concorrentes; uma outra teoria afirma que o termo «Apple» foi escolhido em referência à história bíblica de Adão e Eva, que mostra a maçã como fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Contudo, em 1981, Steve Jobs deu uma entrevista onde revelou que batizou a empresa dessa forma simplesmente porque gostava muito de comer maçãs. Segundo Janoff, a mordida serviu para que fosse mais fácil para o público identificar a fruta. Em 2018, numa entrevista à revista Forbes, o designer gráfico norte-americano contou que, para desenhar o logótipo, apenas recebeu uma instrução de Jobs: «Não o faças engraçadinho».

O logo foi evoluindo ao longo do tempo. Enquanto o primeiro apresentava todas as cores do arco-íris, em 1988, a maçã passou a ser monocromática. No ano de 2001, a empresa adotou um logótipo com um desenho tridimensional que dava a impressão de ter sido feito de vidro. Seis anos depois, passou a ser um ícone cromado, com o objetivo de dar mais sofisticação à marca e, em 2015, esse cromado foi substituído novamente por um monocromático, mais minimalista e discreto. Essa versão – que se mantém até hoje –, é mais plana do que a anterior.

O segundo produto da empresa, o Apple II – que permaneceu na linha de produtos da empresa até o início da década de 1990 –, foi lançado logo em abril de 1977, tornando-se «o primeiro microcomputador amplamente distribuído». E não foi preciso muito para se tornar num grande sucesso comercial: foram vendidas cerca de cinco ou seis milhões de unidades na década seguinte. O computador tinha o preço de 1.298 dólares e detinha um avanço no design – foi desenhado com uma espécie de carcaça de plástico moldada sob medida, tinha 4 KB de memória RAM, teclado integrado e incluía gráficos coloridos, som e conexão com televisores.

Escreve o Executive Digest que, um dos momentos mais marcantes da marca aconteceu em 1984, com o lançamento do Macintosh 128K que foi acompanhado por um anúncio televisivo icónico realizado por Ridley Scott e veiculado no intervalo do Super Bowl, um dos principais eventos desportivos dos EUA. A campanha publicitária posicionava a tecnologia como uma ferramenta de libertação pessoal. O Macintosh custava 2.495 dólares e incluía uma interface gráfica (janelas, ícones), um rato – algo raro na época –, ecrã integrado e um sistema fácil de usar. Pode dizer-se que este foi um dos primeiros computadores pensados para pessoas comuns, não só técnicos. Infelizmente, o Mac, como ficou conhecido, tinha memória e capacidade de armazenamento insuficientes. Não vendeu o que se esperava. 

Um ano depois, a empresa entrou em crise com a saída de Steve Jobs que teve alguns desentendimentos com John Sculley, diretor executivo da marca. Wozniak também já tinha deixado a Apple em fevereiro de 1985 para se tornar professor. Nesse período, Jobs acabou por comprar a Pixar Animation Studio, o que levou mais uma vez a uma revolução, desta vez, da animação cinematográfica. Além disso, nessa altura, o empresário também fundou outra empresa do ramo de computadores, a NeXT, que posteriormente foi comprada pela Apple. Nos anos 90, a Apple criou uma segunda linha do Macintosh II, o PowerBook (pioneiro em laptops modernos) e o Newton (uma espécie de assistente digital  que foi um fracasso comercial).

Um salto na marca 

Steve regressou à empresa em 1997, acabando por apostar na simplificação da linha de produtos e aposta em design. Segundo o Executive Digest, o lançamento do iMac G3, um ano depois, rompeu com a estética cinzenta dominante, introduzindo cores vibrantes e design arrojado. «Já o iPod redefiniu a forma como se consumia música, abrindo caminho para o iPhone, lançado em 2007, que viria a transformar a indústria dos telemóveis e a criar o modelo de smartphone atual», explicou a mesma publicação. O iPhone foi apresentado ao público no dia 9 de janeiro deste ano, mas só começou a ser comercializado no dia 29 de junho. Em apenas dois meses e meio, a empresa da maçã atingiu a marca de 1 milhão de iPhones vendidos. 

Em 2010, com o iPad, a empresa acabou por lançar um novo produto híbrido entre um smartphone e um laptop, o que ajudou a definir a categoria de tablets modernos. Oito anos depois de ser diagnosticado com cancro do pâncreas, Steve Jobs acabou por morrer, em 2011. Nos anos seguintes – sob a direção de Tim Cook – nasceram produtos como o iPad, os AirPods, o Apple Watch e foram lançados ainda serviços de streaming de música e vídeo, além de outras ofertas por assinatura, como notícias e jogos. A empresa tem apostado ainda na Inteligência artificial e, este ano, espera-se que lance o iPhone 18 Pro. 

No âmbito das comemorações dos seus 50 anos, Tim Cook concedeu uma entrevista ao The Wall Street Journal salientando que a inovação continua a ser o pilar central da marca. Para o atual líder da empresa, o sucesso da Apple não se resume a produtos individuais, mas à forma como estes se integram na vida das pessoas, «criando experiências simples, intuitivas e acessíveis».