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Portugal prepara-se para uma nova fase de calor intenso. As previsões dos principais modelos meteorológicos apontam para a chegada de uma massa de ar muito quente vinda do Norte de África, com o período mais crítico previsto entre 22 e 26 de junho.
Depois de um episódio de calor excecional no final de maio, o país poderá enfrentar uma segunda onda de calor em menos de um mês, com temperaturas que, em alguns cenários, poderão aproximar-se dos 45 graus nas regiões mais quentes do território.
Os modelos europeu ECMWF e norte-americano GFS mostram um cenário semelhante: uma vasta cúpula de calor deverá instalar-se sobre a Península Ibérica, trazendo uma subida generalizada dos termómetros e mantendo o tempo quente durante vários dias.
Massa de ar africana chega a Portugal e pode trazer valores extremos
Segundo as previsões analisadas pelo Meteored, a massa de ar quente deverá começar a ganhar influência a partir de 21 de junho, cobrindo praticamente todo o território continental no dia seguinte.
O modelo europeu prevê que várias zonas do interior Centro e Sul possam atingir ou ultrapassar os 42 graus. Já o modelo GFS apresenta projeções ainda mais elevadas, com alguns pontos do Vale do Tejo e do interior leste a poderem aproximar-se dos 44 graus.
As previsões ainda podem sofrer alterações, uma vez que faltam alguns dias até ao período mais quente, mas a tendência é atualmente consistente entre diferentes modelos.
Como explica o Meteored, os mapas meteorológicos utilizados pelos especialistas acompanham a temperatura numa camada da atmosfera situada a cerca de 1500 metros de altitude, permitindo perceber a deslocação das massas de ar sem a influência direta do aquecimento provocado pelo solo.
Calor pode prolongar-se até ao final do mês
O cenário mais preocupante aponta para uma situação prolongada. As projeções indicam que o calor intenso poderá manter-se até 25 ou 26 de junho, podendo mesmo prolongar-se durante a última semana do mês.
O fenómeno está associado a uma configuração atmosférica conhecida como “cúpula de calor” ou “heat dome”. Esta situação acontece quando uma área de altas pressões fica bloqueada durante vários dias, fazendo com que o ar desça, aqueça e dificulte a formação de nuvens.
O resultado é uma acumulação progressiva de calor à superfície, com pouca ou nenhuma chuva e temperaturas elevadas durante vários dias consecutivos.
Solos secos e dias mais longos aumentam preocupação
A nova vaga de calor surge numa altura em que vários fatores podem agravar o impacto das temperaturas.
A onda de calor registada entre o final de maio e o início de junho deixou muitas regiões com solos mais secos. Quando existe humidade no solo, parte da energia do calor é utilizada na evaporação da água. Mas, com terrenos secos, essa energia transforma-se sobretudo em aquecimento do ar.
A proximidade do solstício de verão é outro fator relevante. Os dias estão entre os mais longos do ano, com mais horas de exposição solar e maior capacidade de aquecimento da superfície.
Noites tropicais podem dificultar recuperação do corpo
Além das máximas elevadas, existe outra preocupação: as temperaturas durante a noite.
Os modelos apontam para noites tropicais, com mínimas acima dos 20 graus, sobretudo no Sul e em algumas zonas do litoral. No interior alentejano e no Vale do Guadiana, algumas localidades poderão mesmo enfrentar noites tórridas, em que os termómetros não descem dos 25 graus.
Estas condições tornam o calor mais difícil de suportar, já que o organismo tem menos capacidade de recuperar durante a noite.
Antes do calor extremo ainda há instabilidade
Até quarta-feira, Portugal deverá continuar sob influência de uma atmosfera mais instável, segundo as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
São esperados aguaceiros e trovoadas, sobretudo no interior Norte e Centro e nas zonas montanhosas, com possibilidade de fenómenos localmente intensos, incluindo granizo e rajadas fortes de vento.
Depois dessa fase, a tendência será de subida das temperaturas.
As projeções indicam que o calor deverá intensificar-se sobretudo no Vale do Tejo, Beira Baixa, Alentejo e Nordeste Transmontano, com máximas que poderão atingir valores entre os 39 e os 42 graus em algumas regiões.
Portugal pode ficar no centro de uma “bomba de calor” europeia
A explicação para este cenário está na combinação de vários sistemas atmosféricos.
Uma depressão isolada a oeste da Península Ibérica poderá ajudar a transportar ar muito quente do Norte de África para Portugal e Espanha, enquanto um bloqueio atmosférico sobre o Norte da Europa poderá impedir a circulação normal das massas de ar.
Esta combinação poderá criar uma verdadeira “bomba de calor”, com impacto não apenas em Portugal, mas também em Espanha, França e Reino Unido.
A confirmar-se o cenário atual, Portugal poderá enfrentar uma das primeiras grandes vagas de calor do verão de 2026, poucas semanas depois de um episódio que já deixou marcas históricas no país.