quinta-feira, 16 abr. 2026

VASP alerta para riscos em proposta do Governo para distribuição de imprensa

Empresa alerta para “um preocupante desconhecimento da realidade operacional da distribuição de imprensa”.
VASP alerta para riscos em proposta do Governo para distribuição de imprensa

A VASP – Distribuição e Logística manifestou preocupação com a proposta do Governo para a criação de um regime temporário de apoio à distribuição de imprensa escrita em territórios de baixa densidade, considerando que a medida pode ter efeitos contrários aos pretendidos.

Num comunicado divulgado após um documento do Gabinete do Ministro da Presidência, a empresa afirma que recebeu a proposta “com surpresa”, sobretudo por considerar que o texto “levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações que prestou num espírito de transparência e boa-fé”.

A VASP sublinha que, enquanto empresa privada, tem assegurado “com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita e ao bem público fundamental que é a informação”, mesmo perante custos elevados que, diz, têm sido comunicados de forma transparente às entidades públicas.

Num contexto de quebra continuada nas vendas de jornais, aumento dos custos operacionais e encerramento de pontos de venda, a empresa garante ter mantido a operação nacional diária “com enorme esforço”, assegurando a chegada atempada de publicações a todo o território. Um compromisso que, recorda, remonta à sua fundação, há 51 anos.

A distribuidora destaca ainda que opera sob regras definidas pela Autoridade da Concorrência e sob supervisão de um mandatário de monitorização, defendendo que sempre pautou a sua atuação por “princípios de rigor, transparência e colaboração institucional”, tendo partilhado regularmente informação com autoridades, Governo e reguladores.

Na análise técnica que fez ao documento governamental, a VASP identifica “fragilidades no diagnóstico apresentado” e “um preocupante desconhecimento da realidade operacional da distribuição de imprensa”. A empresa descreve o setor como um sistema logístico complexo, que funciona diariamente ao longo de todo o ano, envolvendo desde a recolha nas gráficas até à distribuição capilar, gestão de sobras, faturação e pagamentos.

Segundo a empresa, o modelo proposto pelo Executivo poderá “fragmentar um sistema logístico nacional que hoje funciona de forma integrada”, levando ao aumento dos custos de distribuição e agravando a situação económica de editores, gráficas, distribuidores e pontos de venda.

“Num momento em que o setor da imprensa enfrenta desafios estruturais profundos, qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição”, defende a VASP, alertando que, caso contrário, a proposta poderá “agravar a situação económica dos diferentes intervenientes do setor e acelerar a degradação da rede de distribuição”.

Como alternativa, a empresa propõe um modelo baseado em apoios públicos que reconheçam a distribuição como serviço de interesse público, incluindo incentivos à aquisição de jornais por entidades como autarquias, escolas e universidades, bem como apoios diretos a pontos de venda e editores.

A VASP reafirma ainda a sua “total disponibilidade para colaborar com o Governo e com todas as entidades do setor”, comprometendo-se a prestar esclarecimentos e a contribuir para “uma solução pública realista, informada e sustentável”.