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A VASP – Distribuição e Logística manifestou preocupação com a proposta do Governo para a criação de um regime temporário de apoio à distribuição de imprensa escrita em territórios de baixa densidade, considerando que a medida pode ter efeitos contrários aos pretendidos.
Num comunicado divulgado após um documento do Gabinete do Ministro da Presidência, a empresa afirma que recebeu a proposta “com surpresa”, sobretudo por considerar que o texto “levanta injustificadamente dúvidas sobre a sua atuação e sobre informações que prestou num espírito de transparência e boa-fé”.
A VASP sublinha que, enquanto empresa privada, tem assegurado “com elevado sentido de responsabilidade e em condições de igualdade, o acesso de todos os cidadãos à imprensa escrita e ao bem público fundamental que é a informação”, mesmo perante custos elevados que, diz, têm sido comunicados de forma transparente às entidades públicas.
Num contexto de quebra continuada nas vendas de jornais, aumento dos custos operacionais e encerramento de pontos de venda, a empresa garante ter mantido a operação nacional diária “com enorme esforço”, assegurando a chegada atempada de publicações a todo o território. Um compromisso que, recorda, remonta à sua fundação, há 51 anos.
A distribuidora destaca ainda que opera sob regras definidas pela Autoridade da Concorrência e sob supervisão de um mandatário de monitorização, defendendo que sempre pautou a sua atuação por “princípios de rigor, transparência e colaboração institucional”, tendo partilhado regularmente informação com autoridades, Governo e reguladores.
Na análise técnica que fez ao documento governamental, a VASP identifica “fragilidades no diagnóstico apresentado” e “um preocupante desconhecimento da realidade operacional da distribuição de imprensa”. A empresa descreve o setor como um sistema logístico complexo, que funciona diariamente ao longo de todo o ano, envolvendo desde a recolha nas gráficas até à distribuição capilar, gestão de sobras, faturação e pagamentos.
Segundo a empresa, o modelo proposto pelo Executivo poderá “fragmentar um sistema logístico nacional que hoje funciona de forma integrada”, levando ao aumento dos custos de distribuição e agravando a situação económica de editores, gráficas, distribuidores e pontos de venda.
“Num momento em que o setor da imprensa enfrenta desafios estruturais profundos, qualquer solução pública deverá assentar num diagnóstico rigoroso e numa compreensão clara do funcionamento da cadeia de valor da distribuição”, defende a VASP, alertando que, caso contrário, a proposta poderá “agravar a situação económica dos diferentes intervenientes do setor e acelerar a degradação da rede de distribuição”.
Como alternativa, a empresa propõe um modelo baseado em apoios públicos que reconheçam a distribuição como serviço de interesse público, incluindo incentivos à aquisição de jornais por entidades como autarquias, escolas e universidades, bem como apoios diretos a pontos de venda e editores.
A VASP reafirma ainda a sua “total disponibilidade para colaborar com o Governo e com todas as entidades do setor”, comprometendo-se a prestar esclarecimentos e a contribuir para “uma solução pública realista, informada e sustentável”.