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Quem vai viajar e precisa de tomar medicamentos deve preparar antecipadamente a deslocação para garantir a continuidade dos tratamentos e evitar problemas nas fronteiras. O alerta é do Infarmed, que publicou um guia com recomendações para quem transporta medicamentos durante viagens.
A Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde aconselha os viajantes a verificarem, antes da partida, os requisitos sanitários e aduaneiros aplicáveis no país de destino e a levarem consigo uma quantidade suficiente de medicamentos para fazer face a eventuais imprevistos.
Entre os problemas a ter em conta estão possíveis atrasos na viagem ou o extravio de bagagem.
Fale com o médico antes de viajar
Antes de iniciar a viagem, o Infarmed recomenda uma consulta com o médico assistente para avaliar se o estado de saúde é compatível com a deslocação e determinar a quantidade de medicamentos necessária durante todo o período.
A autoridade aconselha ainda os viajantes a transportarem:
a receita médica ou uma cópia atualizada da receita eletrónica;
uma declaração ou relatório médico, preferencialmente em inglês ou na língua do país de destino;
informação sobre o doente, a medicação prescrita e as respetivas doses;
indicação da necessidade de transportar dispositivos médicos, como seringas ou agulhas;
uma lista dos medicamentos utilizados, identificados pela Denominação Comum Internacional (DCI).
A utilização da DCI é particularmente importante porque os nomes comerciais dos medicamentos podem variar de país para país.
Medicamentos devem viajar na bagagem de mão
Os medicamentos essenciais devem ser transportados sempre na bagagem de mão, de forma a evitar interrupções no tratamento caso a bagagem de porão seja extraviada.
O Infarmed recomenda também que os medicamentos permaneçam nas embalagens originais e sejam acompanhados dos respetivos folhetos informativos. Esta medida facilita a identificação dos fármacos pelas autoridades durante eventuais controlos.
Quem viaja de automóvel deve ter cuidados adicionais. Os medicamentos não devem ser deixados no interior do veículo, uma vez que as temperaturas elevadas podem comprometer a sua qualidade e eficácia.
É igualmente importante verificar as condições específicas de armazenamento de cada medicamento, sobretudo no caso de fármacos que necessitam de ser conservados a baixas temperaturas.
Mudança de fuso horário pode obrigar a ajustar toma
Em viagens que impliquem a passagem por vários fusos horários, os horários habituais da toma dos medicamentos podem ter de ser ajustados.
O Infarmed salienta, contudo, que qualquer alteração deve ser feita com aconselhamento médico, especialmente no caso de tratamentos com insulina, anticoagulantes ou medicamentos antiepiléticos.
Alguns medicamentos podem ser proibidos noutros países
Outro dos alertas deixados pelo Infarmed prende-se com a legislação existente no país de destino.
Um medicamento autorizado e habitualmente utilizado em Portugal pode estar sujeito a restrições, controlo apertado ou até não ser autorizado noutro país. Por esse motivo, a autoridade recomenda que os viajantes contactem antecipadamente a embaixada ou o consulado do país de destino para conhecer as regras aplicáveis.
Entre os exemplos referidos pelo Infarmed está a dipirona (metamizol), utilizada para reduzir a febre e aliviar dores agudas, que não está autorizada ou comercializada em países como os Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Austrália.
Também a nimesulida, um anti-inflamatório não esteroide utilizado no tratamento de dores agudas, inflamações e febre, foi retirada do mercado ou está sujeita a restrições em vários países devido ao risco de lesão hepática.
Atenção aos medicamentos psicotrópicos e controlados
O Infarmed alerta ainda para as regras particularmente rigorosas aplicadas em alguns destinos ao transporte de medicamentos psicotrópicos e substâncias controladas.
Países como Índia, Paquistão e Turquia têm regulamentações específicas para determinados medicamentos. As anfetaminas e alguns medicamentos que contêm estas substâncias podem mesmo ser considerados ilegais em alguns territórios.
Os Emirados Árabes Unidos são apontados como um dos países com regras mais exigentes relativamente a medicamentos controlados. Dependendo da substância transportada, pode ser necessário apresentar receita médica, relatório clínico e, em alguns casos, obter uma autorização prévia das autoridades de saúde.
A preparação antecipada da viagem e a verificação das regras do país de destino são, por isso, essenciais para evitar a interrupção de tratamentos e eventuais problemas durante os controlos fronteiriços.