terça-feira, 10 fev. 2026

Uso indevido do 112 dispara: mais de 100 mil chamadas para o INEM não eram emergência em 2025

Em média, 300 chamadas por dia não eram emergência, num ano em que o INEM bateu todos os recordes.
Uso indevido do 112 dispara: mais de 100 mil chamadas para o INEM não eram emergência em 2025

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) recebeu em 2025 um número recorde de chamadas, mas uma parte significativa dos contactos feitos para o 112 não dizia respeito a situações de perigo de vida. Ao longo do ano, mais de 100 mil chamadas acabaram por ser consideradas não urgentes, depois de triagem clínica, revelando um uso indevido persistente da linha de emergência.

Segundo o comunicado oficial, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) atenderam 1.656.891 chamadas, o valor mais elevado de sempre. No entanto, em 109.521 casos, cerca de 300 por dia, os profissionais concluíram que não se tratava de uma emergência médica, encaminhando os utentes para a Linha SNS24.

Apesar deste cenário, a maioria das chamadas continuou a estar associada a situações clínicas relevantes, como trauma (246.267 ocorrências), outros problemas clínicos (220.261), alterações do estado de consciência (195.318) e dificuldades respiratórias (158.600). Em todos os contactos, refere o INEM, as equipas procederam à avaliação clínica, prestaram aconselhamento e acionaram, sempre que necessário, os meios de socorro adequados.

Perante o elevado número de chamadas indevidas, o INEM deixa um aviso claro: “o 112 deve ser utilizado apenas em emergências, isto é, quando exista perigo de vida iminente”. A instituição sublinha que a utilização do número para situações não urgentes “pode condicionar a disponibilidade imediata das linhas e dos meios de socorro, com impacto na resposta a ocorrências prioritárias”.

No comunicado, o instituto recorda ainda que as chamadas para o Número Europeu de Emergência – 112 são inicialmente atendidas pelos Centros Operacionais 112, sob responsabilidade das forças de segurança, sendo depois encaminhadas para os CODU do INEM quando estão relacionadas com a área da saúde. Compete às centrais médicas do INEM a “triagem, avaliação e decisão sobre os recursos a mobilizar em cada ocorrência”.

O balanço de 2025 evidencia, assim, não só a crescente pressão sobre o sistema de emergência médica, mas também a necessidade de um uso mais responsável do 112, para garantir uma resposta rápida a quem realmente precisa.