terça-feira, 21 jul. 2026

Um em cada quatro portugueses sente-se pior consigo próprio por causa das redes sociais

As redes sociais estão a afetar cada vez mais o bem-estar e as finanças dos portugueses. Um estudo da Intrum revela que quase um quarto da população sente-se pior consigo própria devido ao conteúdo que vê online, enquanto muitos admitem fazer compras por impulso ou até contrair dívidas para acompanhar estilos de vida exibidos por influenciadores
Um em cada quatro portugueses sente-se pior consigo próprio por causa das redes sociais

Quase um em cada quatro portugueses (24%) admite sentir-se mal consigo próprio ou com o seu estilo de vida devido ao conteúdo que vê nas redes sociais. A conclusão é de um estudo da Intrum, divulgado esta segunda-feira a propósito do Dia Mundial das Redes Sociais, que alerta para os efeitos destas plataformas na saúde mental, nos hábitos de consumo e na situação financeira dos consumidores.

Os dados constam do European Consumer Payment Report (ECPR), que mostra ainda que 76% dos portugueses consideram que as redes sociais promovem expectativas financeiras pouco realistas, uma percentagem superior à média europeia, fixada nos 70%.

Segundo a investigação, os consumidores com maior fragilidade financeira são também os mais vulneráveis à influência dos conteúdos publicados por influenciadores digitais, sendo mais propensos a realizar compras por impulso ou a recorrer ao crédito para tentar replicar estilos de vida que veem nas plataformas.

Entre os consumidores classificados como financeiramente "frágeis", 38% afirmam que os padrões de vida exibidos nas redes sociais prejudicaram a sua saúde mental, enquanto entre os consumidores considerados financeiramente resilientes essa percentagem desce para 19%.

Geração Z é a mais afetada

O estudo identifica os jovens como o grupo mais exposto aos impactos negativos das redes sociais.

Entre os membros da Geração Z, 19% admitem ter contraído dívidas na tentativa de reproduzir estilos de vida vistos online e 46% dizem que a sua saúde mental se deteriorou devido à exposição constante a estes conteúdos.

A investigação conclui ainda que os hábitos de utilização das redes sociais variam consoante o contexto socioeconómico. Os adolescentes provenientes de famílias com menores rendimentos revelam maior propensão para desenvolver comportamentos aditivos relacionados com estas plataformas.

Publicidade e influenciadores impulsionam compras

As redes sociais continuam também a influenciar diretamente as decisões de consumo.

Cerca de 34% dos portugueses afirmam ter realizado compras por impulso depois de visualizarem publicidade nestas plataformas digitais. Apesar de representar uma descida face aos 40% registados em 2024, o fenómeno continua a afetar uma parte significativa dos consumidores.

Além disso, 14% dos inquiridos admitem ter contraído dívidas devido à pressão exercida por influenciadores digitais, evidenciando o impacto económico que este tipo de conteúdos pode ter.

Pagamento diferido incentiva consumo

O relatório analisou igualmente o efeito das soluções de pagamento diferido, conhecidas como "Compre Agora, Pague Depois" (BNPL - Buy Now, Pay Later).

Em Portugal, 31% dos consumidores afirmam sentir-se mais inclinados a comprar quando esta opção está disponível. A percentagem sobe para 32% entre os homens, enquanto entre as mulheres se fixa nos 30%.

Nas regiões do Algarve, Madeira e Açores, a influência desta modalidade de pagamento é inferior à média nacional, situando-se entre 24% e 25%.

Citado em comunicado, o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís Salvaterra, considera que a exposição contínua a estilos de vida idealizados nas redes sociais gera sentimentos de exclusão, frustração e insatisfação, com impacto tanto na autoestima como na estabilidade financeira dos consumidores.

O European Consumer Payment Report é publicado anualmente pela Intrum desde 2013 e baseia-se num inquérito realizado a 20.000 consumidores em 20 países europeus, incluindo uma amostra de 1.000 participantes em Portugal.