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Quase um em cada quatro estudantes (24,6%) já equacionou suspender a matrícula ou abandonar o ensino superior devido aos custos associados aos estudos, conclui um inquérito realizado pela Associação Académica de Coimbra (AAC).
O estudo, realizado online em agosto junto da comunidade académica, reuniu 1.039 respostas validadas e revela o peso crescente das despesas com alojamento, alimentação, transportes e material escolar no orçamento dos estudantes.
Para José Machado, presidente da AAC, “a habitação é o principal obstáculo à permanência dos estudantes no ensino superior”.
O problema assume particular expressão em Coimbra, onde o preço médio de um quarto é de 312 euros. Cerca de dois terços dos estudantes inquiridos (65,2%) pagam 300 euros ou mais pelo alojamento.
Quase 30% gastam mais de metade do orçamento na renda
O inquérito revela ainda que 32% dos estudantes não têm contrato formal de arrendamento, situação que a AAC considera particularmente preocupante.
Entre os inquiridos, 28,6% gastam entre 51% e 70% do orçamento mensal em alojamento, enquanto outros 12,3% afirmam despender mais de 70% do orçamento com a habitação.
O preço e a disponibilidade de alojamento estão também a influenciar as decisões dos estudantes antes mesmo de iniciarem os estudos.
Mais de metade dos participantes (52,7%) afirmou que as condições do mercado habitacional condicionaram total ou parcialmente a escolha da cidade ou da instituição de ensino superior.
AAC pede medidas urgentes para o alojamento estudantil
Perante os resultados, a Associação Académica de Coimbra apresentou um conjunto de propostas ao Governo para tentar aliviar os problemas de acesso ao alojamento estudantil.
Entre as medidas defendidas está a criação de um contrato de arrendamento estudantil tipificado, com uma caução legalmente limitada e regras claras para estudantes e senhorios.
A AAC propõe também o funcionamento permanente do Observatório do Alojamento Estudantil, permitindo acompanhar de forma mais atualizada a evolução dos preços dos quartos em Portugal.
Outra das propostas passa pela criação de uma plataforma pública de intermediação de alojamento, com certificação realizada pelo Estado.
Para José Machado, a existência de estudantes a viver em quartos arrendados sem contrato formal é motivo de “bastante” preocupação, uma vez que estes ficam mais expostos a eventuais abusos dos senhorios e a despejos forçados.
O presidente da AAC considera que o Governo não pode “pactuar com este tipo de práticas” e critica, em particular, o facto de o programa de apoio ao pagamento de rendas não prever a inclusão de faturas.
«A solução final» passa por mais residências públicas
A AAC defende que a resposta estrutural à crise do alojamento estudantil passa pelo aumento do número de residências e camas públicas.
No entanto, José Machado considera que essa solução não pode esperar pela construção de novas residências.
“A solução final para este problema de habitação é a criação de mais residências e camas públicas, mas no curto prazo tem de haver uma resposta urgente”, defendeu.
Os dados do inquérito da AAC colocam, assim, o custo do alojamento no centro das dificuldades enfrentadas pelos estudantes e mostram que o preço de um quarto já está a influenciar decisões sobre onde estudar e, em alguns casos, sobre a própria continuidade no ensino superior.