segunda-feira, 14 set. 2026

Um em cada quatro condutores mortos em acidentes tinha álcool no sangue em nível considerado crime

Cerca de um em cada quatro condutores mortos em acidentes de viação em 2025 e autopsiados tinha uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, considerada crime. Ao todo, 42% dos condutores mortos tinham álcool no sangue
Um em cada quatro condutores mortos em acidentes tinha álcool no sangue em nível considerado crime

Cerca de um em cada quatro condutores mortos em acidentes de viação em Portugal no ano passado e submetidos a autópsia apresentava uma taxa de álcool no sangue considerada crime, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

Os dados, disponibilizados à agência Lusa pelo Ministério da Administração Interna (MAI), indicam que 117 dos 282 condutores mortos e autopsiados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) tinham álcool no sangue. O valor corresponde a 42% do total.

Entre os condutores que apresentavam álcool, 68 tinham uma taxa igual ou superior a 1,2 gramas por litro (g/l), o limite a partir do qual a condução sob influência de álcool é considerada crime.

Ou seja, cerca de 24% de todos os condutores mortos e autopsiados apresentavam uma taxa de alcoolemia que, em termos legais, corresponde a crime.

Quase um terço tinha álcool acima do limite legal

Os dados da ANSR mostram ainda que 85 dos 282 condutores mortos, cerca de 30%, tinham uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5 g/l, valor a partir do qual a condução é considerada uma contraordenação grave, para a generalidade dos condutores.

A presença de álcool é ainda significativa quando analisado o conjunto das vítimas mortais.

Das 404 pessoas que morreram em acidentes de viação e foram autopsiadas pelo INMLCF em 2025, 158, cerca de 39%, apresentavam álcool no sangue.

Destas vítimas, 28% tinham uma taxa igual ou superior a 0,5 g/l, enquanto 22% apresentavam pelo menos 1,2 g/l.

ANSR alerta para impacto do álcool na sinistralidade

“Estes resultados demonstram que o álcool, em especial em níveis muito elevados, continua fortemente presente na sinistralidade rodoviária mais grave”, afirma a ANSR.

Os dados são divulgados enquanto decorre a campanha “Taxa Zero ao Volante”, promovida pela ANSR em conjunto com a PSP e a GNR.

A campanha, que decorre até segunda-feira, pretende alertar os condutores para os riscos associados à condução sob influência de álcool e reforçar a importância de uma condução sem consumo de bebidas alcoólicas.

A presença de álcool está associada à diminuição da capacidade de reação e ao aumento do risco de acidente, tornando-se particularmente preocupante nos casos de alcoolemia mais elevada identificados entre as vítimas mortais.