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Cerca de um em cada quatro condutores mortos em acidentes de viação em Portugal no ano passado e submetidos a autópsia apresentava uma taxa de álcool no sangue considerada crime, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Os dados, disponibilizados à agência Lusa pelo Ministério da Administração Interna (MAI), indicam que 117 dos 282 condutores mortos e autopsiados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) tinham álcool no sangue. O valor corresponde a 42% do total.
Entre os condutores que apresentavam álcool, 68 tinham uma taxa igual ou superior a 1,2 gramas por litro (g/l), o limite a partir do qual a condução sob influência de álcool é considerada crime.
Ou seja, cerca de 24% de todos os condutores mortos e autopsiados apresentavam uma taxa de alcoolemia que, em termos legais, corresponde a crime.
Quase um terço tinha álcool acima do limite legal
Os dados da ANSR mostram ainda que 85 dos 282 condutores mortos, cerca de 30%, tinham uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,5 g/l, valor a partir do qual a condução é considerada uma contraordenação grave, para a generalidade dos condutores.
A presença de álcool é ainda significativa quando analisado o conjunto das vítimas mortais.
Das 404 pessoas que morreram em acidentes de viação e foram autopsiadas pelo INMLCF em 2025, 158, cerca de 39%, apresentavam álcool no sangue.
Destas vítimas, 28% tinham uma taxa igual ou superior a 0,5 g/l, enquanto 22% apresentavam pelo menos 1,2 g/l.
ANSR alerta para impacto do álcool na sinistralidade
“Estes resultados demonstram que o álcool, em especial em níveis muito elevados, continua fortemente presente na sinistralidade rodoviária mais grave”, afirma a ANSR.
Os dados são divulgados enquanto decorre a campanha “Taxa Zero ao Volante”, promovida pela ANSR em conjunto com a PSP e a GNR.
A campanha, que decorre até segunda-feira, pretende alertar os condutores para os riscos associados à condução sob influência de álcool e reforçar a importância de uma condução sem consumo de bebidas alcoólicas.
A presença de álcool está associada à diminuição da capacidade de reação e ao aumento do risco de acidente, tornando-se particularmente preocupante nos casos de alcoolemia mais elevada identificados entre as vítimas mortais.