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Depois de Portugal ficar às escuras a 28 de abril de 2025, o episódio continua a ser referência nas recomendações de preparação para situações de emergência. A DECO PROteste, as autoridades e entidades de proteção civil têm vindo a reforçar a importância de kits domésticos capazes de garantir autonomia durante pelo menos 72 horas.
A nível técnico, o relatório final do painel de peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), divulgado em março de 2026, conclui que o colapso do sistema elétrico ibérico resultou de uma sequência de falhas em cadeia, associadas a oscilações de tensão e perda de estabilidade na rede. O incidente terá provocado a desconexão da Península Ibérica do sistema elétrico europeu em poucos segundos. Segundo a RTP Notícias, a origem do problema terá estado fora de Portugal, associada a perturbações na rede elétrica espanhola, que se propagaram rapidamente ao sistema interligado.
A nível nacional, o Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT), composto por 10 especialistas e académicos na área da energia, criado na sequência do incidente, identificou fragilidades na comunicação entre entidades e na resposta operacional durante o apagão, recomendando o reforço da coordenação institucional e a autonomia de infraestruturas. Um ano depois, o Governo assegura já ter adotado parte dessas recomendações, apontando medidas de reforço da monitorização, da articulação entre entidades e da robustez do sistema elétrico, num contexto em que os peritos continuam a sublinhar a necessidade de maior investimento e cooperação ibérica.
A nível prático, todos sentimos na pele: o corte ocorreu de forma súbita e generalizada. Em poucos minutos, o país ficou sem eletricidade. Os transportes foram interrompidos, as comunicações degradaram-se e os serviços essenciais passaram a operar em regime de emergência. Os hospitais ativaram geradores para garantir a continuidade de funções críticas. Nas cidades, a circulação ficou fortemente condicionada pela paragem dos sistemas de sinalização e pelo aumento repentino da mobilidade em contexto de contingência. Nos supermercados, registou-se uma procura súbita por bens essenciais, com várias unidades a reportarem ruturas de stock em artigos como água engarrafada, alimentos básicos, pilhas, velas e rádios portáteis à medida que a incerteza se alastrava durante as primeiras horas do apagão.
Mais do que a dimensão técnica, o colapso evidenciou a dependência de infraestruturas altamente interligadas e a necessidade de preparação individual para falhas prolongadas de serviços essenciais.
É nesse contexto que a DECO PROteste reforça a recomendação de um kit de emergência em cada habitação - para seu bem e dos seus. A pergunta deve ser sempre: se algo acontecer, conseguimos sobreviver 72 horas com o que temos na mochila?
O kit deve ser preparado com antecedência e guardado num local acessível, permitindo resposta imediata em caso de necessidade.
Para além de uma "mochila com material resistente”, o kit deve incluir:
Água potável e alimentos não perecíveis
Lanterna e pilhas
Rádio portátil
Apito
Powerbank
Medicamentos essenciais
Documentos
No que respeita à saúde, deve existir um kit básico de primeiros socorros que contenha:
Ligaduras
Luvas descartáveis
Pensos e adesivos
Pinça e agulhas
Soro fisiológico
Termómetro e lenços de papel
Anti-inflamatórios, como ibuprofeno, e paracetamol
A DECO PRoteste sublinha também a importância de adaptar estes kits às necessidades específicas de cada agregado familiar, nomeadamente crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas.
Não se esqueça dos seus animais de companhia: também devem ser considerados, com reserva de água e alimentação para vários dias, medicação que o animal necessite, documentação e identificação adequada.
Mais do que recomendações teóricas, tratam-se de medidas de preparação básica para um cenário de falha prolongada de energia ou comunicações. Assim, a preparação antecipada deixa de ser preventiva e passa a ser funcional.
[texto editado por Joana Ludovice de Andrade]