quinta-feira, 14 mai. 2026

Um ano depois do apagão: as falhas, as lições e o kit de emergência que não deve deixar para amanhã

Ainda se lembra onde estava no apagão de 28 de abril? Foi há precisamente um ano que Portugal ficou às escuras. Desde aí, o sistema elétrico já foi analisado, foram identificadas falhas na resposta e o Governo garante ter aplicado parte das recomendações. Para as famílias, a principal mudança resume-se a uma ideia simples: estar preparado.
Um ano depois do apagão: as falhas, as lições e o kit de emergência que não deve deixar para amanhã

Depois de Portugal ficar às escuras a 28 de abril de 2025, o episódio continua a ser referência nas recomendações de preparação para situações de emergência. A DECO PROteste, as autoridades e entidades de proteção civil têm vindo a reforçar a importância de kits domésticos capazes de garantir autonomia durante pelo menos 72 horas.

A nível técnico, o relatório final do painel de peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), divulgado em março de 2026, conclui que o colapso do sistema elétrico ibérico resultou de uma sequência de falhas em cadeia, associadas a oscilações de tensão e perda de estabilidade na rede. O incidente terá provocado a desconexão da Península Ibérica do sistema elétrico europeu em poucos segundos. Segundo a RTP Notícias, a origem do problema terá estado fora de Portugal, associada a perturbações na rede elétrica espanhola, que se propagaram rapidamente ao sistema interligado.

A nível nacional, o Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT), composto por 10 especialistas e académicos na área da energia, criado na sequência do incidente, identificou fragilidades na comunicação entre entidades e na resposta operacional durante o apagão, recomendando o reforço da coordenação institucional e a autonomia de infraestruturas. Um ano depois, o Governo assegura já ter adotado parte dessas recomendações, apontando medidas de reforço da monitorização, da articulação entre entidades e da robustez do sistema elétrico, num contexto em que os peritos continuam a sublinhar a necessidade de maior investimento e cooperação ibérica.

A nível prático, todos sentimos na pele: o corte ocorreu de forma súbita e generalizada. Em poucos minutos, o país ficou sem eletricidade. Os transportes foram interrompidos, as comunicações degradaram-se e os serviços essenciais passaram a operar em regime de emergência. Os hospitais ativaram geradores para garantir a continuidade de funções críticas. Nas cidades, a circulação ficou fortemente condicionada pela paragem dos sistemas de sinalização e pelo aumento repentino da mobilidade em contexto de contingência. Nos supermercados, registou-se uma procura súbita por bens essenciais, com várias unidades a reportarem ruturas de stock em artigos como água engarrafada, alimentos básicos, pilhas, velas e rádios portáteis à medida que a incerteza se alastrava durante as primeiras horas do apagão.

Mais do que a dimensão técnica, o colapso evidenciou a dependência de infraestruturas altamente interligadas e a necessidade de preparação individual para falhas prolongadas de serviços essenciais.

É nesse contexto que a DECO PROteste reforça a recomendação de um kit de emergência em cada habitação - para seu bem e dos seus. A pergunta deve ser sempre: se algo acontecer, conseguimos sobreviver 72 horas com o que temos na mochila?

O kit deve ser preparado com antecedência e guardado num local acessível, permitindo resposta imediata em caso de necessidade.

Para além de uma "mochila com material resistente”, o kit deve incluir:

  • Água potável e alimentos não perecíveis

  • Lanterna e pilhas

  • Rádio portátil

  • Apito

  • Powerbank

  • Medicamentos essenciais

  • Documentos

  • Dinheiro em numerário

No que respeita à saúde, deve existir um kit básico de primeiros socorros que contenha:

  • Ligaduras

  • Luvas descartáveis

  • Pensos e adesivos

  • Pinça e agulhas

  • Soro fisiológico

  • Termómetro e lenços de papel

  • Anti-inflamatórios, como ibuprofeno, e paracetamol

A DECO PRoteste sublinha também a importância de adaptar estes kits às necessidades específicas de cada agregado familiar, nomeadamente crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas.

Não se esqueça dos seus animais de companhia: também devem ser considerados, com reserva de água e alimentação para vários dias, medicação que o animal necessite, documentação e identificação adequada.

Mais do que recomendações teóricas, tratam-se de medidas de preparação básica para um cenário de falha prolongada de energia ou comunicações. Assim, a preparação antecipada deixa de ser preventiva e passa a ser funcional.



[texto editado por Joana Ludovice de Andrade]