segunda-feira, 09 fev. 2026

Tribunal recusa depoimento de comandante da PSP no julgamento da morte de Odair Moniz

A sessão decorre mais de um mês depois da audiência dos agentes chamados a prestar apoio aos dois polícias envolvidos na perseguição que terminou no bairro da Cova da Moura.
Tribunal recusa depoimento de comandante da PSP no julgamento da morte de Odair Moniz

A quinta sessão do julgamento do agente da PSP acusado da morte de Odair Moniz, a 21 de outubro de 2024, foi interrompida poucos minutos depois de ter começado, esta terça-feira, no Tribunal de Sintra. Cerca de dez minutos após o início da audição da primeira testemunha, a juíza presidente decidiu suspender a sessão para avaliar a pertinência da continuação do depoimento, avança o jornal Observador. 

Em causa estava o testemunho de Isabel Canelas, comandante distrital da PSP de Portalegre, chamada a depor como primeira testemunha. A juíza Ana Sequeira solicitou uma pausa para o coletivo de juízes deliberar sobre se deveria ou não prosseguir a audição, tendo em conta que o depoimento se baseava em declarações prestadas pelo arguido numa altura em que este não estava acompanhado por advogado.

Após a deliberação, a juíza anunciou a decisão: o tribunal considerou não ser adequado ouvir a comandante sobre o conteúdo das declarações atribuídas ao arguido, precisamente por este não ter tido assistência jurídica no momento em que falou com a responsável policial.

Durante os breves minutos em que chegou a testemunhar, Isabel Canelas explicou que teve apenas um contacto com o arguido, ocorrido na manhã seguinte à morte de Odair Moniz. Segundo a comandante, esse contacto enquadrou-se nos procedimentos normais da PSP. “Não era nada que não estivesse previsto”, afirmou, acrescentando que se deslocou à Amadora acompanhada por dois agentes, por indicação da chefia da PSP, com o objetivo de ouvir Bruno Pinto.

Esta sessão decorreu mais de um mês depois de uma audiência particularmente marcante do julgamento, na qual foram ouvidos os agentes chamados a prestar apoio aos dois polícias envolvidos na perseguição à vítima que terminou no bairro da Cova da Moura.

Nessa altura, Joel Cardoso, um dos responsáveis pela preservação do local do crime, admitiu que as provas poderão ter sido mexidas, ao contrário do previsto e permitido. O agente relatou que, quando chegou ao local, apenas viu a vítima com uma bolsa cinzenta, mas que, ao regressar pouco depois, encontrou duas bolsas e um punhal junto ao corpo. Após este testemunho, o procurador do Ministério Público lamentou a situação, afirmando que “parece que não há grande preservação”.

O julgamento prossegue nas próximas sessões, com a audição de novas testemunhas.