Tribunal de Beja condena nove arguidos por exploração de imigrantes no Alentejo

Em novembro do ano passado, a CNN Portugal noticiou a detenção de 10 militares da GNR e de um agente da PSP, bem como de seis civis, todos alvo de buscas domiciliárias e nos locais de trabalho, no âmbito desta investigação
Tribunal de Beja condena nove arguidos por exploração de imigrantes no Alentejo

O Tribunal de Beja condenou esta quinta-feira nove pessoas, sete das quais a penas de prisão efetiva entre três e nove anos e meio, e absolveu outras três, num processo relacionado com a exploração de imigrantes no Alentejo.

Na leitura do acórdão, realizada durante a tarde, a presidente do coletivo de juízes, Ana Batista, explicou que a pena mais elevada — nove anos e meio de prisão, em cúmulo jurídico — foi aplicada ao arguido que teve um “papel central” no esquema criminoso.

O homem, de nacionalidade romena, foi condenado por um crime de auxílio à imigração ilegal, um crime de tráfico de pessoas, um crime de branqueamento de capitais e ainda por detenção de arma proibida.

Os restantes seis arguidos condenados a prisão efetiva responderam, na generalidade, por crimes semelhantes, embora alguns não tenham sido julgados por todos os ilícitos, nomeadamente os de branqueamento de capitais ou detenção de arma proibida.

Duas arguidas foram condenadas a penas de prisão suspensas: uma cidadã peruana, por auxílio à imigração ilegal, e uma cidadã moldava, por detenção de arma proibida. Ambas receberam penas de dois anos de prisão, suspensas por igual período.

O processo está relacionado com a operação “Safra Justa”, levada a cabo pela Polícia Judiciária, que visou uma organização criminosa suspeita de explorar trabalhadores migrantes, sobretudo de origem indostânica, em explorações agrícolas na região de Beja.

Em novembro do ano passado, a CNN Portugal noticiou a detenção de 10 militares da GNR e de um agente da PSP, bem como de seis civis, todos alvo de buscas domiciliárias e nos locais de trabalho, no âmbito desta investigação.

Segundo fonte policial, a organização criminosa controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, embora nem todos sejam considerados vítimas de tráfico de seres humanos. Os crimes investigados remontam a 2023 e prolongaram-se até à atualidade.

As autoridades indicaram ainda que, na sequência da operação policial, várias vítimas estão a ser ouvidas para memória futura nas instalações da Base Aérea n.º 11, em Beja.