terça-feira, 16 jun. 2026

"Sou amigo da ministra, vejam lá". Enfermeiro Diretor da ULS do Alentejo acusado de assédio moral e clima de medo

Emanuel Bolieiro é ainda acusado de difamar o atual Conselho de Admnistração, do qual faz parte.
"Sou amigo da ministra, vejam lá". Enfermeiro Diretor da ULS do Alentejo acusado de assédio moral e clima de medo

Emanuel Boieiro, Enfermeiro Diretor da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, está a ser acusado de assédio moral, ameaças, intimidação e violação de diretos por vários enfermeiros da unidade, garantindo que existe um ambiente baseado no medo.

“Ou estão comigo ou estão contra mim” ou "sou amigo da ministra, vejam lá, portem-se bem" são algumas das frases relatadas nas denúncias a que o Observador teve acesso. Aos colegas, chamava de imcompetentes, e afirmava "foi preciso vir um Boieiro para pôr os bois no sítio" - comportamento que os enfermeiros denunciaram à admnistração como “linguagem desumanizada e humilhante”

De acordo com o jornal "as condutas descritas não são episódios isolados, mas um padrão de gestão baseado no medo, na agressividade verbal e no desrespeito pela dignidade da pessoa humana".

Numa das queixas, um enfermeiro revela que, "desde a tomada de posse do novo Conselho de Admnistração", altura em que também Emanuel Bolieiro foi eleito Enfermeiro Diretor, tem perdido funções. “Tenho vindo a assistir a um processo progressivo de esvaziamento do meu conteúdo funcional, traduzido na retirada injustificada de competências, responsabilidades e atribuições previamente formalizadas e exercidas com reconhecido mérito”, pode ler-se na denúncia, citada pelo mesmo jornal.

Além do alegado mau tratamento aos colegas, Emanuel Bolieiro é ainda acusado de difamar o atual Conselho de Admnistração da unidade de saúde, dizendo que "não está pronto para responder com o presidente que tem", referindo-se a Carlos Gomes, diretor desde novembro do ano passado.

O Conselho de Admnistração reagiu às inúmeras queixas tornadas públicas, confirmando que foram recebidas, mas sem explicar quantas foram formalizadas.“Todas as exposições, participações ou queixas formalmente apresentadas à instituição são analisadas de acordo com os mecanismos legalmente previstos”, afirmaram. No entanto, ainda não é oficial se já foi aberto um inquérito a Emanuel Boieiro.

A Ordem dos Enfermeiros acionou um órgão disciplinar responsável por avaliar o caso, ao mesmo tempo que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde está a ponderar abrir um inquérito com base nas denúncias que recebeu por parte de vários enfermeiros.