quarta-feira, 15 abr. 2026

“Só por um acaso não é um voto de pesar”. PSD quer ouvir com urgência MAI sobre ataque na Marcha pela Vida

Social-democratas pedem esclarecimentos ao ministro após incidente com engenho incendiário que gerou alarme entre participantes em Lisboa.
“Só por um acaso não é um voto de pesar”. PSD quer ouvir com urgência MAI sobre ataque na Marcha pela Vida

O PSD pediu a audição urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, para apurar os contornos do ataque ocorrido no sábado durante a Marcha pela Vida, em Lisboa.

Num requerimento entregue na Assembleia da República, a bancada social-democrata considera que o incidente “constitui um preocupante sinal de degradação e radicalização do debate público”.

A Marcha pela Vida, que decorreu no centro da capital, terminou com o arremesso de um objeto incendiário, do tipo cocktail molotov, na direção dos participantes. O engenho não chegou a deflagrar, mas provocou momentos de alarme entre as cerca de 500 pessoas presentes, incluindo crianças e bebés.

De acordo com a PSP, o suspeito, que não participava na manifestação, foi detido no local. As autoridades referem ainda que outras pessoas associadas ao caso fugiram, tendo sido posteriormente identificados três indivíduos alegadamente ligados a um grupo de conotação anarquista.

No documento, o PSD sublinha que a condenação do ataque “só por um acaso não é um voto de pesar” e defende que “o inusitado ataque que se seguiu não é compatível com uma sociedade livre e democrática, que se pretende plural e respeitadora da diferença”.

O partido acrescenta que “a liberdade de expressão e de manifestação, enquanto direitos fundamentais inalienáveis do Estado de Direito Democrático, têm de estar disponíveis para todas as opiniões”, alertando para o impacto da “agressividade do discurso político” e da crescente polarização.

Os sociais-democratas “condenam, de forma veemente” o ataque e pedem que o ministro seja ouvido “com caráter de urgência” na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

No mesmo requerimento, o PSD elogia a atuação da PSP, destacando a “ação e a determinação” na resposta ao incidente, bem como a posição do ministro, que “pronta e veementemente condenou este ato de extremismo e radicalização social”.

O caso ocorreu no final da iniciativa, integrada numa mobilização nacional contra a interrupção voluntária da gravidez, que reuniu participantes em várias cidades do país e que, em Lisboa, ligou o Largo do Carmo ao Palácio de São Bento.