quinta-feira, 16 abr. 2026

SNS revela fragilidades em hospitais durante apagão de 2025: “Praticamente nenhum tinha combustível para três dias”

A fragilidade maior permanece nas comunicações, área que foi problemática tanto no apagão de abril de 2025 como nas tempestades recentes.
SNS revela fragilidades em hospitais durante apagão de 2025: “Praticamente nenhum tinha combustível para três dias”

O diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) afirmou esta quarta-feira que na altura do apagão nacional de 28 de abril de 2025, a maior parte dos hospitais não tinha combustível suficiente para três dias de autonomia energética.

Álvaro Santos Almeida falava durante uma audição na Comissão Parlamentar de Ambiente e Energia, no âmbito de um grupo de trabalho sobre o incidente, quando várias unidades de saúde enfrentaram dificuldades para manter geradores em funcionamento.

O responsável explicou que, embora a maioria dos hospitais tenha conseguido abastecer-se localmente, Lisboa foi a exceção, com problemas em unidades como a Maternidade Alfredo da Costa, o Hospital dos Capuchos e o Hospital de São José. “A meio da tarde, alertámos para a falta de combustível e pelas 20h00 estas unidades estavam a ser abastecidas com um camião cisterna”, recordou.

O responsável sublinhou que, apesar das vulnerabilidades identificadas, tudo correu bem no resto do país, e as situações foram rapidamente resolvidas.

Lições aprendidas e melhorias implementadas

Segundo Álvaro Santos Almeida, o apagão serviu para identificar fragilidades que já foram corrigidas. Entre as medidas estão:

  • Abastecimento de geradores revisto e testado regularmente

  • Preparação do SNS para responder a falhas de energia, como demonstrado nas tempestades de janeiro em Leiria

  • Desenvolvimento de um plano de centro de comunicações alternativo para reforçar a resiliência do SNS

Apesar disso, o diretor-executivo admitiu que a fragilidade maior permanece nas comunicações, área que foi problemática tanto no apagão de abril de 2025 como nas tempestades recentes.

Autonomia energética e comunicação: pontos críticos

Na audição parlamentar, questionado pelos deputados Paulo Moniz (PSD), Raul Melo (Chega), Pedro Vaz (PS) e Jorge Pinto (Livre), Álvaro Santos Almeida não detalhou se todos os hospitais atualmente possuem autonomia para 72 horas, caso ocorra um apagão de grande duração.

“Se houve algo positivo do apagão foi precisamente chamar a atenção para vulnerabilidades, que foram corrigidas”, afirmou, citado pela agência Lusa, destacando que os geradores e sistemas de abastecimento de combustível são agora verificados com regularidade.