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O Serviço Nacional de Saúde (SNS) lançou uma nova rede de referenciação hospitalar de ginecologia e obstetrícia, integrando pela primeira vez as duas especialidades e definindo níveis de complexidade hospitalar para assegurar tratamentos mais eficazes e especializados às mulheres.
Primeira atualização desde 2002
Segundo Diogo Ayres de Campos, coordenador do grupo de trabalho responsável pelo documento, a rede estava há 24 anos sem atualização, sendo que a versão anterior, de 2002, abrangia apenas obstetrícia.
“A rede é um elemento fundamental para a organização dos cuidados de obstetrícia e ginecologia no SNS, porque define quais os hospitais que tratam situações complexas, intermédias ou comuns”, explicou Ayres de Campos
Níveis de complexidade hospitalar
O novo documento define três níveis:
Nível 1: menos complexo
Nível 2: intermediário
Nível 3: casos mais complexos
Os hospitais de nível 3, responsáveis pelos casos mais complicados, incluem:
Unidades Locais de Saúde São João e Santo António (Porto)
ULS de Coimbra
ULS Santa Maria e São José, que integra a Maternidade Alfredo da Costa (Lisboa)
O objetivo é concentrar casos que exigem equipamentos especializados e conhecimento avançado, como determinadas doenças da gravidez ou problemas ginecológicos raros.
Organização de equipas e desafios regionais
A rede define também a constituição das equipas hospitalares, considerando número de consultas, ecografias e complexidade assistencial.
Segundo o especialista, citado pela agência Lusa, a maioria dos hospitais do Norte e Centro tem equipas bem constituídas, mas há dificuldades em algumas unidades da região de Lisboa e Vale do Tejo, como Barreiro, Vila Franca de Xira e Península de Setúbal.
“Particularmente na gravidez, não dá segurança às grávidas não saber se o hospital mais próximo está aberto ou não”, alertou Ayres de Campos, defendendo soluções temporárias, como a concentração de urgências regionais em determinados hospitais.
Centralização de tratamentos altamente especializados
A rede prevê a centralização nacional de tratamentos raros ou muito especializados, como a cirurgia fetal, realizada em cerca de 10 a 12 casos por ano, exclusivamente na Maternidade Alfredo da Costa.
“Se todos os hospitais realizassem este tipo de procedimentos, não se criaria experiência e o investimento em equipamentos seria enorme”, explicou o especialista.
Impacto esperado
Com esta atualização, o SNS pretende:
Garantir maior segurança e previsibilidade para as grávidas
Otimizar recursos humanos e equipamentos hospitalares
Assegurar experiência e qualidade clínica em casos complexos
A nova rede representa um passo significativo para modernizar a organização dos cuidados de saúde materna e ginecológica em Portugal, refletindo as necessidades atuais da população e a evolução da medicina especializada.