sexta-feira, 08 mai. 2026

SIRESP vai receber 36 milhões de euros após falhas: rede de emergência terá mais autonomia e reforço técnico

Depois das falhas registadas em momentos críticos, o SIRESP prepara-se para uma nova fase. O Governo recebe esta terça-feira um plano de reforço da rede de emergência que prevê um investimento de cerca de 36 milhões de euros e mudanças visíveis já nos próximos meses.
SIRESP vai receber 36 milhões de euros após falhas: rede de emergência terá mais autonomia e reforço técnico

O SIRESP vai avançar para um novo ciclo de modernização. A rede exclusiva de comunicações do Estado para situações de emergência e segurança deverá receber um investimento de cerca de 36 milhões de euros, com o objetivo de aumentar a autonomia energética, criar redundâncias técnicas e reforçar a capacidade de resposta em cenários de elevada pressão operacional.

A informação surge no dia em que o grupo de trabalho criado pelo Governo apresenta, no Ministério da Administração Interna, as conclusões do estudo técnico-estratégico sobre a evolução do sistema.

Segundo fonte do setor, ouvida pela Lusa, a equipa interministerial entregou ao Executivo 33 recomendações, com um prazo estimado de implementação de 18 meses.

O que muda na rede SIRESP?

O plano agora apresentado pretende reforçar áreas consideradas críticas para a fiabilidade da rede.

Entre as principais metas estão:

  • mais autonomia energética para os equipamentos;

  • maior redundância nas comunicações;

  • reforço da robustez e da resiliência operacional;

  • introdução de novas capacidades técnicas para cenários de emergência.

O objetivo, segundo a mesma fonte, passa por consolidar o que já existe, mas também corrigir vulnerabilidades identificadas em situações recentes.

Porque é que o Governo decidiu avançar agora?

A criação deste grupo de trabalho surgiu depois das falhas registadas no apagão de abril do ano passado, quando o funcionamento do SIRESP voltou a ser colocado em causa.

Na altura, o Governo defendeu a necessidade de um sistema “mais robusto, fiável, resiliente e interoperável”, sublinhando limitações estruturais e operacionais em cenários de maior exigência.

O sistema já tinha sido alvo de profundas alterações após os incêndios de Incêndios de Portugal de 2017, mas voltou a enfrentar críticas recentes durante o apagão de 2025 e durante a tempestade Tempestade Kristin, que afetou a região Centro no final de janeiro.

Que mudanças poderão ser visíveis já este verão?

Numa entrevista recente, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, adiantou que algumas alterações deverão começar a notar-se ainda durante o verão.

Entre as novidades previstas estão:

  • instalação de novos equipamentos;

  • reforço de retransmissores;

  • criação de canais próprios de comunicação.

Estas medidas integram também o programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, que prevê uma reforma estrutural da rede.

Qual é hoje a dimensão do SIRESP?

O SIRESP é a rede exclusiva do Estado português para o comando, controlo e coordenação das comunicações em situações de emergência e segurança.

Atualmente, o sistema:

  • responde às necessidades de mais de 40 mil utilizadores;

  • suporta mais de 35 milhões de chamadas por ano.

No âmbito do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, está ainda prevista a atribuição de um telefone SIRESP a todas as juntas de freguesia.

A apresentação oficial das propostas decorre esta terça-feira e deverá marcar um novo capítulo num sistema que, ao longo dos anos, tem estado no centro de várias polémicas, sempre que a pressão operacional aumenta.