segunda-feira, 13 abr. 2026

Sirenes de Lisboa vão disparar esta manhã. Saiba porquê e o que deve fazer?

Se estiver perto da frente ribeirinha e ouvir o som, não entre em pânico. Mas vale a pena saber exactamente o que está a acontecer, porquê e o que deve fazer. Até porque o risco, o risco de acontecer em Portugal não pode ser considerado baixo.
Sirenes de Lisboa vão disparar esta manhã. Saiba porquê e o que deve fazer?

O exercício chama-se LisbonWave26 e decorre entre as 10h30 e as 12h00, com as quatro sirenes instaladas na frente ribeirinha a serem accionadas em fases, de meia em meia hora. Cada teste tem uma duração de 20 a 30 minutos e inclui uma sequência de toques seguida de mensagem de voz em português e em inglês.

As quatro sirenes já estão instaladas na Praça do Império, na Ribeira das Naus, no Passeio Carlos do Carmo e na Doca de Alcântara, sendo as duas últimas de instalação recente. Serão também testadas as rotas de encaminhamento até aos pontos de encontro e a prontidão da resposta da Proteção Civil Municipal.

PORQUÊ ESTE NOME E PORQUÊ AGORA

O nome LisbonWave26 não é casual. Foi escolhido para comunicar com os turistas e residentes estrangeiros que vivem na cidade, numa lógica de inclusão que reflecte a Lisboa actual. O exercício foi organizado pela autarquia em articulação com a Proteção Civil e enquadra-se nas iniciativas do Dia Internacional da Proteção Civil, assinalado em março.

O LisbonWave26 foi ainda precedido de sessões de preparação: a 9 de março, as Juntas de Freguesia participaram numa acção de informação e, mais recentemente, o director dos Serviços Municipais de Proteção Civil, André Fernandes, apresentou o sistema de alerta às embaixadas presentes em Lisboa, com a presença do vereador Rodrigo Mello Gonçalves.

O QUE FAZER SE OUVIR AS SIRENES, HOJE OU A SÉRIO

André Fernandes, director do Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa, é claro: sempre que ocorrer um abalo sísmico, mesmo sem aviso formal de tsunami, os cidadãos devem afastar-se da zona ribeirinha e procurar um local mais elevado e seguro. Não é preciso esperar pela sirene.

Há sinais de alerta que deve conhecer e que não dependem de qualquer sistema tecnológico. O recuo súbito da água no rio ou no mar é um dos indicadores mais visíveis de que algo pode estar a acontecer. Quem estiver numa zona com sinalética de evacuação deve segui-la sem hesitar, em direcção aos pontos de encontro assinalados nas ruas da cidade.

MAS LISBOA ESTÁ MESMO EM RISCO?

A resposta desconfortável é: sim. Segundo o IPMA, o risco de tsunami em Portugal não pode ser considerado baixo, ainda que a perigosidade seja estatisticamente reduzida. Em Outubro de 2025, numa visita ao Centro de Alerta de Tsunamis do IPMA a propósito dos 270 anos do terramoto de 1755, o especialista Rachid Omira lembrou à agência Lusa que para ocorrer um sismo semelhante ao de 1755, de magnitude próxima de 9, são precisos mais de mil anos, mas que isso não significa que não possa acontecer amanhã, dado que existem várias falhas tectónicas próximas da costa que podem romper a qualquer momento.

A história é eloquente. A costa portuguesa foi atingida por tsunamis de origem sísmica associados ao terramoto de 1 de Novembro de 1755, com registos históricos de eventos semelhantes em 1531 e 1761. Já no século XX, a rede de marégrafos da costa portuguesa registou tsunamis na sequência dos sismos de 1941, 1969 e 1975, conforme documentado pelo IPMA.

No caso de Lisboa, a geografia agrava o cenário: o estuário do Tejo, pela sua morfologia em funil, pode amplificar a energia de uma onda e canalizá-la para o interior da cidade.

O PLANO DA CÂMARA VAI MUITO ALÉM DE HOJE

O presidente da CML, Carlos Moedas, tem afirmado que a autarquia tem vindo a reforçar o investimento na Proteção Civil, dotando-a de mais recursos e meios. As quatro sirenes activas são apenas o início: o objectivo é ter dez sirenes em funcionamento em toda a frente ribeirinha de Lisboa até 2029.

A estratégia inclui os 24 planos locais de emergência das freguesias, a sinalética de evacuação já visível em várias ruas da cidade e acções de formação e sensibilização da população. O LisbonWave26 é, portanto, mais um passo num plano estruturado e de longo prazo.

O QUE DEVE SABER PARA HOJE E PARA O FUTURO

  • As sirenes soam entre as 10h30 e as 12h00 de hoje, não é emergência real

  • Cada activação dura entre 20 e 30 minutos, com mensagem em português e inglês

  • Após o sinal sonoro, dirija-se a um ponto de encontro ou procure cota mais elevada

  • O recuo da água é sinal de alerta mesmo sem sirenes

  • Em caso de tsunami real, o aviso é emitido pelo IPMA, que desde 2017 opera o Centro de Alerta de Tsunamis reconhecido pela UNESCO