Alterações do sono, perda de olfato e obstipação podem ser sinais precoces da Doença de Parkinson, surgindo até duas décadas antes dos sintomas motores.
A propósito do Dia Mundial da Doença de Parkinson, que se assinala sábado, o neurologista Marcelo Mendonça explicou que estes sintomas não motores são frequentes muito antes do diagnóstico clínico.
“Há alterações do cheiro, obstipação e perturbações do sono que podem aparecer 15 a 20 anos antes dos sintomas motores”, afirmou o especialista.
A doença de Parkinson é uma patologia neurodegenerativa, crónica e sem cura, habitualmente associada a pessoas com mais de 60 anos, mas que também pode surgir antes dos 50.
Os sintomas mais conhecidos incluem tremores, lentidão de movimentos e rigidez muscular. No entanto, segundo o especialista da Fundação Champalimaud, o processo da doença começa muito antes de estes sinais se tornarem evidentes.
Ainda assim, Marcelo Mendonça sublinha que estes sinais precoces não significam necessariamente que uma pessoa tenha Parkinson. “As principais causas de perda de cheiro não são a doença de Parkinson”, alertou, citado pela agência Lusa.
Distúrbios do sono e intestino preso em destaque
Entre os sintomas não motores, o neurologista destaca a obstipação como possivelmente o primeiro sinal da doença.
Outro indício relevante é a perturbação do comportamento do sono REM, caracterizada por movimentos bruscos durante o sono, como pontapés, murros ou gritos.
O especialista quis também desmistificar a ideia de que o diagnóstico de Parkinson implica uma redução significativa da esperança de vida.
“As pessoas vivem 20 ou 30 anos com a doença”, afirmou, contrariando perceções erradas associadas à patologia.
Embora não exista forma de prevenir totalmente a doença, Marcelo Mendonça defende que estilos de vida saudáveis podem ajudar a reduzir o risco.
Evitar o tabaco e o álcool, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regular são algumas das recomendações.
Em Portugal, estima-se que cerca de 20 mil pessoas vivam com Parkinson, com mais de 1.800 novos casos por ano.
A associação Young Parkies Portugal aponta ainda que entre 2.000 e 3.000 pessoas têm Parkinson precoce, ou seja, diagnosticado em idade ativa.