Relacionados
Céline Dion deixou os fãs sensíveis quando revelou sofrer de uma síndrome que a impedia de dar concertos. A cantora pausou a carreira em 2022, quando revelou sofrer de Síndrome da Pessoa Rígida, uma doença que lhe causa espasmos musculares severos.
Agora que anunciou o seu regresso aos palcos, é importante perceber o que é a doença e o que permitiu Céline Dion voltar a estar com os seus fãs em 2026.
O que é a Síndrome da Pessoa Rígida?
A Síndrome da Pessoa Rígida é uma condição neurológica autoimune extremamente rara, afetando uma pessoa em cada um milhão, de acordo com a CUF. Existem diferentes tipos, definidos com base nos sintomas físicos e manifestações clínicas.
Quem são os mais afetados?
Esta síndrome afeta frequentemente pessoas entre os 30 e os 60 anos, mas há registo de casos de crianças e idosos. As mulheres apresentam o dobro do risco de desenvolver a doença em comparação com os homens.
Geralmente, a síndrome está associada a outras doenças autoimunes, como doença celíaca, diabetes tipo 1, doença autoimune da tiroide e vitiligo.
Há causas diagnosticadas?
A medicina ainda não avançou com causas específicas, mas a comunicada científica descreve-a como uma condição onde o sistema imunitário ataca células saudáveis.
Aquilo que a comunidade científica já descobriu em comum em pessoas que sofrem da síndrome é que todas desenvolvem um tipo de anticorpo chamados descarboxilase do ácido glutâmico, que produz um neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico, que controla os movimentos musculares.
No entanto, ainda não é certo que a presença deste anticorpo indique necessariamente o desenvolvimento da doença. Existem ainda outro tipo de anticorpos associados à síndrome, como o recetor de glicina, que está ainda a ser investigado pela medicina.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam aparecer entre os 30 e os 40 anos, podendo demorar meses ou até anos até se expressarem de forma contínua. Os sintomas inicias poderão incluir desconforto, rigidez ligeira e dor especialmente na região lombar e pernas.
Na maioria dos casos, de acordo com o hospital, a primeira zona do corpo a ser afetada é o tronco, que inclui o abdómen, costas e peito.
Os sintomas podem agravar-se com o tempo, limitando a capacidade dos doentes de fazeres atividades simples do dia a dia.
O mais comum é a rigidez nos músculos e repetidos espasmos musculares dolorosos, que podem envolver todo o corpo ou focar-se apenas numa região.
Estes episódios dolorosos podem surgir sem motivo ou devido a ruído inesperados ou intensos, contacto físico, alterações de tempratura ou em situações de elevado stress.
O que provoca a dor nos espamos?
Os espasmos que advém da Síndrome da Pessoa Rígida podem ser tão fortes que chegam a deslocar articulações ou até mesmo a causar fraturar ósseas. Podem demorar segundos, alguns minutos ou, em casos extremos, algumas horas.
A síndrome que pode desenvolver outras doenças
Os sintomas da síndrome podem ser de tal forma imprevisíveis que, muitas vezes, os doentes desenvolvem ansiedade ou medo extremo de sair de casa e de estar com outras pessoas.
Existe cura?
Não existe um tratamento que garanta a cura da síndrome; no entanto, há métodos que podem aliviar os sintomas e controlar a progressão da doença.
Em alguns pacientes, a medicação, como relaxantes musculares, é suficiente para estabilizar a doença e diminuir a rigidez e espasmos.
A imunoterapia pode também ser uma opção: de acordo com a CUF, o tratamento intravenoso com imunoglobina já demonstrou ser eficaz na melhoria de alguns sintomas.
Os pacientes podem ainda recorrer à fisioterapia, alongamentos, massagem, hidroterapia, terapia com calor, acupuntura, yoga e meditação.
No caso da cantora Céline Dion, esta não revelou o que a está a ajudar a controlar os sintomas, mas garante sentir-se melhor. No seu documentário "I am Céline Dion", lançado em 2024, a cantora mostra a sua vida com a doença, inclusive episódios de rigidez muscular, além de sessões de tratamento.
Não é possível prevenir a doença, mas um dos fatores mais importantes para a controlar é iniciar várias formas de tratamento logo após os primeiros sintomas, não só para perceber o que funciona melhor com o paciente, mas também para evitar complicações a longo prazo, que podem chegar a condicionar a mobilidade física dos pacientes por completo.