segunda-feira, 09 fev. 2026

"Se fosse um grupo que realmente incita ao ódio ao imigrante, não estaria aqui”. Defesa recusa que o grupo 1143 seja violento

A advogada acrescentou ainda que conhece Mário Machado, líder do grupo de extrema-direita, “há bastante tempo”, descrevendo-o como alguém que defende um Portugal “seguro e digno”.
"Se fosse um grupo que realmente incita ao ódio ao imigrante, não estaria aqui”. Defesa recusa que o grupo 1143 seja violento

A defesa de vários dos 37 detidos na operação “Irmandade”, levada a cabo pela Polícia Judiciária (PJ), rejeita que o grupo tenha qualquer caráter violento ou que promova o ódio. À saída do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, a advogada Mayza Consentino, advogada dos arguidos, afirmou que se trata apenas de um “grupo de convívio”.

“É um grupo de convívio, não tem ali nada de violência”, declarou a advogada à agência Lusa, sublinhando que, na sua perspetiva, as manifestações do grupo se enquadram na liberdade de expressão, mesmo perante as acusações de incitamento ao ódio dirigidas pela investigação.

Questionada sobre o facto de a PJ considerar que o discurso do grupo constitui uma ameaça para minorias étnicas, Mayza Consentino disse acreditar que não existe esse risco. “Eu sou mulher, sou brasileira. Se fosse um grupo que realmente incita ao ódio ao imigrante, não estaria aqui”, afirmou. A advogada acrescentou ainda que conhece Mário Machado “há bastante tempo”, descrevendo-o como alguém que defende um Portugal “seguro e digno”. Mário Machado é considerado o líder do grupo de extrema-direita. Está detido desde maio de 2025 por crimes de discriminação e incitação ao ódio.

Na terça-feira, a Polícia Judiciária anunciou a detenção de 37 pessoas em todo o país, no âmbito de uma investigação que levou também à constituição de 15 arguidos e à realização de 65 buscas. Segundo a PJ, os detidos — com idades entre os 30 e os 54 anos — têm vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais.

De acordo com a polícia, os suspeitos adotavam e difundiam a ideologia nazi, associada à extrema-direita radical e violenta, atuando por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, em particular imigrantes.

Entre os detidos encontram-se um elemento da PSP e um militar, informação confirmada pela própria polícia e por fontes ligadas à investigação.

A PJ sustenta ainda que o grupo dispunha de uma estrutura hierárquica organizada, com funções distribuídas, sendo responsável pela prática de crimes como discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificadas e detenção de armas proibidas.

O processo continua, não havendo previsão de quando serão conhecidas as medidas de coação a aplicar aos detidos, decisão que caberá ao Tribunal Central de Instrução Criminal.