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Para a esmagadora maioria dos portugueses, sair do trabalho às 18h ou mais tarde continua a ser a regra. Mas há países europeus onde o dia no escritório acaba às 15h ou às 16h.
Em algumas economias do Norte da Europa, como na Noruega, a média semanal ronda as 33 a 35 horas, segundo dados da OCDE. Na prática, isso traduz-se em jornadas mais curtas, maior flexibilidade e uma cultura que valoriza a produtividade durante o horário laboral e um maior equilibrio entre a vida profissional e a pessoal, em vez da permanência prolongada no escritório.
Menos horas, mais foco
A lógica é simples: trabalhar menos tempo, mas com maior concentração e organização. Redução de reuniões desnecessárias, menos interrupções e limites mais claros no contacto fora do horário laboral são algumas das medidas adotadas por empresas que optaram por encurtar o dia.
Ainda assim, a experiência internacional mostra que o número de horas não é o único fator decisivo. A digitalização trouxe um novo desafio: mesmo saindo mais cedo, muitos profissionais continuam ligados ao trabalho através do telemóvel.
É por isso que o debate evolui para algo mais ambicioso, combinar este horário mais 'amigo' da vida pessoal com a semana de quatro dias.
E em Portugal?
Em Portugal, o horário padrão mantém-se nas 40 horas semanais. A saída às 15h ou 16h está longe de ser generalizada, sobretudo no setor privado.
No entanto, o país já testou um projeto-piloto de semana de quatro dias, entre 2023 e 2024, envolvendo empresas que aderiram de forma voluntária e sem cortes salariais. Os resultados divulgados indicaram manutenção da produtividade e melhoria do equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A discussão continua aberta. Não existe, para já, qualquer alteração estrutural na legislação, mas a ideia deixou de ser marginal.
Uma mudança cultural?
Mais do que trabalhar menos, trata-se de trabalhar de forma diferente. Sair às 16h implica reorganizar prioridades, redefinir expectativas e repensar a cultura empresarial.
Para quem termina o dia já ao final da tarde, a ideia pode soar distante. Mas noutros países já é realidade. E a pergunta começa a ganhar espaço também em Portugal: será que o futuro do trabalho passa por menos horas e mais qualidade de vida?