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Tem um vasto currículo internacional, e nacional, e decidiu que está na hora de ir para fora outra vez. Luís Carrilho, o diretor nacional da PSP, concorreu ao cargo de diretor executivo da Europol e está na short list, de seis nomes, que se irão reduzir a três, em meados do próximo mês. Quem não gostou muito de saber que Carrilho estava a concorrer à Europol foi o ministro da Administração Interna, que foi apanhado de surpresa e terá reagido com algum desagrado, segundo apurou o Nascer do SOL, junto de oficiais próximos do comandante da PSP. Contactado por mensagem pelo nosso jornal, Carrilho optou pelo silêncio.
Há dois anos no cargo, o diretor nacional ter-se-á cansado das constantes lutas em que a instituição se vê envolvida e optou por concorrer ao lugar que está vago desde 1 de maio, altura em que Catherine De Bolle terminou o seu mandado. A história de Odair Moniz, a rusga na rua do Benformoso, as lutas salariais que não são resolvidas, ou a falta de oficiais, são algumas das razões que terão «cansado» o agora candidato à Europol.
Segundo as mesmas fontes contactadas pelo SOL, Carrilho está muito bem posicionado para ‘agarrar’ o lugar, pois as provas que efetuou até agora têm-lhe corrido muito bem, e só numa é que não terá tido nota bem elevada.
Olá Bruxelas, olá Paris
A Europol, como diz o seu próprio site, «ouve as necessidades dos Estados-Membros da UE e analisa as tendências da criminalidade na UE. A Agência apoia as investigações iniciadas pelos Estados-Membros, embora os agentes da Europol nunca prendam cidadãos nem iniciem investigações. O trabalho da Europol consiste geralmente em lidar com crimes que exigem uma abordagem internacional e a cooperação entre vários países, dentro e fora da UE».
Tendo chegado a esta fase em que já só estão seis concorrentes, Carrilho, se passar à seguinte, dos três últimos, terá que fazer uma entrevista com algum comissário europeu. Se for o eleito, Luís Carrilho passará de um ordenado base de pouco mais de cinco mil euros na PSP para um de 21 mil na Europol.
Aos 59 anos, o superintendente-chefe já passou por várias missões, tendo sido chefe do Serviço de Segurança da Presidência da República, durante o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, e para ter desempenhado as funções de ‘conselheiro de Polícia das Nações Unidas (UNPOL) e diretor de Polícia no Departamento de Operações de Paz na na ONU, tendo coordenado em 2018 e 2022 as reuniões do ‘UNCOPS – United Nations Chiefs of Police Summit’, segundo consta do site da PSP, teve de ser graduado em superintendente chefe pela então ministra Constança Urbano de Sousa.
Para terminar a parte curricular internacional, diga-se que «serviu como Comandante da Polícia das Nações Unidas em três operações de manutenção da paz: na Missão Multidimensional de Estabilização Integrada na República Centro-Africana (MINUSCA), na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, e na Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) de 2009 a 2012. Esteve na Missão das Nações Unidas na Bósnia e Herzegovina (UNMIBH), e na Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste, onde foi o primeiro diretor da Academia da Polícia Nacional de Timor-Leste».
Já a Europol dedica-se em particular ao controlo das drogas ilícitas, ao tráfico de seres humanos, à imigração ilegal, ao cibercrime, entre outros. Para terminar este capítulo, diga-se que a Europol, no seu site, dá conta dos factos e números: «Mais de 1400 funcionários; 264 Oficiais de Ligação da Europol; Apoiamos milhares de investigações internacionais todos os anos; Tornou-se uma agência oficial da UE em 1 de janeiro de 2010».
Todos estamos esclarecidos sobre a importância do organismo, vejamos agora as consequências do abandono de Luís Carrilho da direção nacional da PSP – mesmo que não seja eleito para a Europol, o diretor nacional já terá feito saber que deseja perseguir a carreira no estrangeiro, estando disponível para ser o oficial de ligação nas embaixadas onde a PSP tem um representante. Por norma, todos os ex-diretores nacionais da PSP são colocados numa dessas embaixadas, como seja o caso do anterior comandante, Magina da Silva, que terminará a sua comissão de serviço em Paris a 1 de setembro. E diz-se que é para aqui que poderá ser enviado Luís Carrilho, caso não seja o eleito para a Europol. É uma espécie de prémio por se ter sido diretor nacional e ter estado uns anos na linha de fogo. Aqui ganha-se bem mais, o dobro, e não há praticamente chatices.
Seis nomes na linha da frente
Na PSP os dados estão lançados e fala-se de seis nomes que estão mais bem posicionados para substituir Luís Carrilho. Em primeiro lugar, aparece o comandante de Lisboa, o superintendente chefe Luís Elias – que substituiu no cargo Fiães Fernandes, atualmente inspetor nacional da PSP, ver texto ao lado. Elias terá pequenos obstáculos para ultrapassar. São evidentes as suas discordâncias com Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, mas tem a favor ser próximo das perceções do ministro Luís Neves e da adjunta deste. Ambos defendem que a criminalidade na capital tem baixado, ao contrário do autarca lisboeta. Com um currículo internacional invejável – e como o texto já tem currículos a mais, deixemos para outras núpcias –, Elias tem alguns anticorpos na PSP, embora não se conheça alguém que não tenha, e é do quarto curso de oficiais da PSP.
Sem factos concretos, mas com muitas perceções dos oficiais ouvidos, o SOL sabe que o nome que cria mais anticorpos é o do comandante da Polícia Municipal, superintendente José Carvalho Figueira, também com alguma experiência internacional. Figueira, diz-se à boca cheia, adorava ser o diretor nacional da PSP, e não tem perdido uma oportunidade para se insinuar, na boca daqueles que não morrem de amores por ele. É dos mais novos, é do sétimo curso, próximo de Carlos Moedas, mas não tão perto de Luís Neves.
Depois há mais quatro nomes de que se fala: Pedro Moura, coordenador geral da Unidade de Coordenação de Estrangeiros e Fronteiras, que alguns acreditam que pode unir as diferentes alas; João Ribeiro, responsável da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras; Francisco Teles, comandante da UEP, que é de Braga e sabe-se como o lóbi do Norte ‘manda’ no Governo; e de Ismael Jorge, dos Recursos Humanos. Estes são os nomes mais falados, mas não passam de perceções, Luís Neves logo avançará com os factos concretos quando tiver que avançar com o nome que substituirá Luís Carrilho.
Numa época em que a Polícia não consegue convencer quase ninguém a ingressar na instituição – ontem, dos 800 novos agentes previstos, apenas concluíram o curso 552 – e com as guerras do SIRESP e da sua adjunta na cabeça do touro, mandando especialistas reescrever relatórios, supostamente, científicos, Luís Neves terá dias difíceis pela frente, e ainda não chegámos à época dos fogos...