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Nascido em Espanha, na Serra de Albarracín, o Tejo percorre cerca de 1.100 quilómetros até ao Atlântico. Em Portugal, atravessa o país de leste para oeste, ligando territórios onde a agricultura, a indústria, a história, a biodiversidade e as atividades humanas foram moldando a paisagem.
A jusante, o rio abre-se numa das suas paisagens mais características: a lezíria do Tejo. Entre Vila Franca de Xira e o estuário, os terrenos férteis estão associados à agricultura e à criação de gado, num território onde a presença do rio se cruza com a atividade da Companhia das Lezírias. Arroz, milho, vinha, olival, pastagens e floresta fazem parte deste mosaico, que inclui também importantes habitats de aves. Sem esquecer a importância da criação de gado bovino e do Cavalo Lusitano.
Mais para montante, o Tejo passa por cidades e vilas cuja história se desenvolveu em estreita relação com o rio. Santarém, Abrantes e Constância são exemplos de territórios onde a água foi, durante séculos, elemento de ligação, circulação e atividade económica. Em Constância - conhecida como a ‘terra mais camoniana de Portugal’ devido à forte tradição de que Luís de Camões ali terá vivido e escrito parte da sua obra - o Tejo encontra o Zêzere; em Abrantes, a paisagem ribeirinha cruza-se com uma longa história de ocupação e defesa do território.
Em Vila Velha de Ródão, a paisagem transforma-se novamente. O rio atravessa a crista quartzítica da Serra do Perdigão e forma as Portas de Ródão, uma garganta estreita entre escarpas que constitui um dos seus cenários mais marcantes. Aqui, natureza e história encontram-se nas margens do rio, onde existem vestígios de ocupação humana com milhares de anos e onde o Tejo foi também uma importante via de circulação.
A leste, já junto à fronteira, o rio assume uma dimensão mais selvagem. O Parque Natural do Tejo Internacional acompanha o vale fronteiriço e os territórios dos rios Tejo, Erges e Pônsul. Encostas rochosas, matos mediterrânicos, montado e áreas agrícolas formam uma paisagem de grande valor natural, onde encontram refúgio espécies como a águia-imperial, o abutre-preto e a cegonha-preta.
É também aqui que o Tejo ganha uma dimensão que ultrapassa a geografia de um só país. A Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo/Tajo Internacional, reconhecida pela UNESCO, reúne territórios portugueses e espanhóis em torno de um rio que não termina na fronteira.
Ao longo do seu percurso, o Tejo passa assim por paisagens bastante diferentes: o estuário e as zonas húmidas, a lezíria agrícola, as cidades ribeirinhas, os vales do centro do país, as escarpas de Ródão e o território selvagem da fronteira.
O rio é o mesmo, mas a paisagem nunca é igual. E talvez seja essa a principal característica do Tejo: mais do que atravessar Portugal, o rio vai revelando, quilómetro após quilómetro, diferentes formas de relação entre a água, a natureza e as comunidades que se instalaram nas suas margens.
E vale a pena recordar o verso inicial do poema O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa: «O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia».
Observar
Companhia das Lezírias
Criada em 1836, a Companhia das Lezírias está situada entre os rios Tejo e Sorraia e estende-se pela Lezíria de Vila Franca de Xira, a Charneca do Infantado, o Catapereiro e os Pauis (Belmonte e Lavouras). Além da sua zona agrícola representa um contacto privilegiado com a biodiversidade da Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo. Localizado na Reserva Natural do Estuário do Tejo, no coração da mais importante zona húmida de Portugal, o EVOA - Espaço de Visitação e Observação de Aves - é o local perfeito para se ficar a conhecer de perto a curiosa fauna e flora desta região. Garantidos ficam a diversão e o avistamento de aves entre a lezíria e o Estuário do Tejo, embora as espécies avistadas mudem consoante as migrações e os fatores naturais.
Navegar
Descidas de rio
Pode optar pelo percurso clássico - Constância ao Castelo de Almourol - e é um dos trajetos mais famosos. Começa na Praia Fluvial de Constância (onde o Zêzere se junta ao Tejo) e termina com a vista imponente do castelo medieval no meio do rio. Tem uma extensão aproximada de cinco a seis quilómetros. Mas também pode optar por um trajeto ligeiramente mais longo e rural, que vai de Constância a Abrantes, ideal para quem começar a atividade em pleno no concelho de Abrantes.
Caminhar
Trilho da Rota dos Templários
Localizado no concelho de Vila Nova da Barquinha, este trilho foi recentemente potenciado com a inauguração do percurso pedestre oficial PR1 VNB. O sucesso deve-se ao facto de a região ter sido o quartel-general da Ordem dos Templários em Portugal, cruzando misticismo histórico com paisagens naturais únicas onde se encontram os rios Tejo, Zêzere e Nabão. Conta com 18 quilómetros de extensão total e tem uma duração média, entre 5 a 6 horas de caminhada.
Monumentos
Tomar
Embora não fique nas margens diretas do Tejo, mas sim do Nabão, Tomar faz parte da sub-região do Médio Tejo e partilha uma ligação histórica e estratégica profunda com o rio. É uma das cidades historicamente mais ricas de Portugal, célebre por ter sido a sede da Ordem dos Templários. O seu património monumental único cruza a arquitetura militar medieval, o misticismo religioso e os detalhes ornamentados do estilo Manuelino ligado aos Descobrimentos portugueses. Uma das principais atrações é o Convento de Cristo. Inscrito na Lista de Património Mundial da UNESCO, este monumento é uma obra-prima que junta estilos Românico, Gótico, Manuelino e Renascentista. O grande destaque vai para a Charola Templária - o oratório circular inspirado no Santo Sepulcro de Jerusalém - e para a mundialmente famosa Janela do Capítulo, expoente máximo do detalhe esculpido em pedra do estilo Manuelino.
Outro grande destaque vai para o Castelo de Tomar. Fundado em 1160 pelo mestre templário Gualdim Pais, as suas muralhas cercam o Convento de Cristo e oferecem um ponto de observação estratégico no topo da colina, com vistas magníficas sobre a cidade.
Vila Velha de Ródão
Um dos destaques da visita vai para as Portas de Ródão. Trata-se de uma impressionante garganta geológica onde o rio Tejo se estreita por entre imponentes escarpas de quartzo com 45 metros de largura. Pode ainda visitar o castelo que oferece uma perspetiva aérea avassaladora sobre o estreito das Portas de Ródão. A curta distância a pé fica a Capela de Nossa Senhora do Castelo. Pode ainda visitar a Estação Arqueológica da Foz do Enxarrique ou o respetivo Centro de Interpretação (CIART) para compreender as milhares de gravuras paleolíticas encontradas nas margens do rio.
Santarém
Conhecida como a ‘Capital do Gótico’ em Portugal, em Santarém é possível visitar a Igreja de Santa Maria da Graça que alberga o túmulo de Pedro Álvares Cabral. Não esqueça o Convento de São Francisco ou a Capela de Nossa Senhora do Monte. Outro destaque vai para o Jardim das Portas do Sol (Antiga Alcáçova), que corresponde ao recinto do antigo castelo medieval conquistado por D. Afonso Henriques em 1147. Além de manter troços das muralhas preservados, funciona como um miradouro deslumbrante sobre a lezíria e o rio Tejo.
Onde comer
Chef Victor Felisberto
O restaurante Casa Chef Victor Felisberto, em Abrantes, voltou a ser distinguido com o prestigiado Bib Gourmand do Guia MICHELIN Portugal 2026, mantendo assim esta distinção pelo sétimo ano consecutivo. Este reconhecimento coloca o restaurante como o único no distrito de Santarém com esta distinção, reforçando o seu posicionamento como uma das referências gastronómicas da região e do país. Destaca-se pelas especialidades de pernil assado em forno de lenha, migas e bochechas de porco.
A Coudelaria
Situado dentro da própria Companhia das Lezírias, em Samora Correia, destaca-se pela cozinha regional ribatejana, com destaque para pratos de carne e novilha, além de um famoso buffet de cozido de carnes bravas aos domingos.
Praias fluviais
Rio
Ao longo do curso do rio Tejo existem várias praias fluviais conhecidas, que oferecem excelentes infraestruturas, zonas de sombra e águas calmas para banhos. Embora muitas das famosas praias do ‘Médio Tejo’ se situem na verdade nos seus afluentes (como o Zêzere ou o Nabão), o próprio leito principal do Tejo esconde verdadeiros paraísos fluviais, estendendo-se desde a Beira Baixa até bem perto de Lisboa.