sexta-feira, 07 ago. 2026

Rio Cávado. Natureza (e bem comer) de Esposende a Montalegre

O SOL inicia esta semana uma curta série de verão com sugestões para os tempos livres em torno dos principais rios portugueses. Hoje, suba o Cávado na nossa companhia.
Rio Cávado. Natureza (e bem comer) de Esposende a Montalegre

Venha, caro leitor. Se não conhece, venha. Se por aqui passou de raspão um dia, entre pressas e notificações, regresse agora. Que deste verão não passe. Pelo Cávado acima, venha em busca de vagares e prazeres. Pergunte-se e confira: será que estão como há século e meio as águas do rio que desagua junto a Esposende e nasce lá na Serra do Larouco para rasgar a paisagem transmontana a caminho da minhota? Ainda nelas se encontram a abundância de vida selvagem que os antigos glosavam e de que deixaram registo?

«São tão cristalinas as águas do Cávado, que sem embargo de terem em muitos lugares, mesmo no verão, um volume de metro e meio de espessura, vê-se perfeitamente através delas as areias e seixinhos do leito, aquelas todas brancas e estes multicores», escrevia o cronista Vilhena Barbosa em meados do século XIX.

E, escrevendo ele nesse tempo, recuava ainda mais para invocar dizeres ou lendas: «Abunda o Cávado em pescaria de peixes mimosos, tais como salmões, lampreias, trutas, sáveis e bogas. Foi tão abundante outrora dos primeiros, que se acha em memórias escritas que houve lanço, nos tempos antigos, de 40 salmões. Dizem as mesmas memórias que na antiguidade se tirava oiro das suas areias, e que também nelas se encontravam às vezes jacintos, ametistas e cristais».

Em que troços e curvas é isto ainda verdade? Venha ver. E proíba-se de se ficar pelo rio e suas margens, o que já será tanto. Suba Minho acima, o Cávado a embalar a viagem. De jusante para montante, como é proposta desta curta série estival que o SOL agora inicia.

É vir e ver. Os granitos e xistos deste «teclado de piano» que é o vale do Cávado, como o definiu o geógrafo Orlando Ribeiro, local por onde há séculos uma navegabilidade rara fazia circular madeira e lenha e vinho e milho.

Afaste-se, enfim, para outros passeis aqui próximos, visitas a restaurantes, atividades de lazer, cultura, música, só descanso.

Antes ainda de aceitar as propostas que lhe deixamos na página ao lado, não se faça à estrada sem o seguinte bilhete de identidade, rigoroso e bem capaz de lhe evitar incerta ida a alguma Wikipedia. Surge num livro de 1991, Cávado - Alguns Olhares, que vimos seguindo, então publicado pela bracarense Associação Para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural.

A bacia hidrográfica do Cávado, estruturada fundamentalmente pelo rio do mesmo nome e o seu principal afluente, o rio Homem, abrange uma área de 1589 Km2 que se expande unicamente em território nacional.

Propriamente dito, o rio Cávado nasce na Serra do Larouco, extremo norte do concelho de Montalegre, junto à fronteira com a Galiza, no lugar de Cabo, a 1527 metros de altitude. Até à foz, em Esposende, percorre 118 Km.

Brinda Esposende, Barcelos, Braga, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Montalegre e ainda salpica Boticas. É uma passeio daqueles!