quarta-feira, 22 jul. 2026

Refugiados em Portugal chegam sobretudo de África e da América Latina

Novo relatório conclui que Portugal recebe menos refugiados do que outros países europeus, mas alerta para a necessidade de reforçar o acolhimento, envolver as autarquias e preparar o país para futuros fluxos migratórios
Refugiados em Portugal chegam sobretudo de África e da América Latina

A maioria dos refugiados que chegam a Portugal tem origem em países africanos e da América Latina, revela o mais recente relatório do Observatório das Migrações. O estudo conclui ainda que o país recebe menos refugiados do que outros Estados europeus, mas defende uma estratégia de acolhimento mais integrada e descentralizada para responder aos desafios futuros.

O diretor científico do Observatório das Migrações, Pedro Góis, explica que o relatório pretende analisar o posicionamento de Portugal perante o fenómeno global das migrações forçadas.

Segundo o investigador, a análise incidiu sobre dados estatísticos, legislação e práticas nacionais, comparando também a realidade portuguesa com a de outros países europeus.

De acordo com Pedro Góis, Portugal continua a receber um número significativamente inferior de refugiados face a países como Espanha, sobretudo porque não se encontra numa das principais rotas migratórias.

"Espanha recebe muita gente nas Canárias ou no sul, mas Portugal recebe de sítios muito específicos, como países africanos e da América Latina", explicou, citado pela agência Lusa.

O responsável atribui esta realidade à proximidade histórica e linguística, às ligações aéreas existentes e às redes de contactos já estabelecidas por comunidades migrantes residentes em Portugal.

Apesar disso, considera que o país deverá preparar-se para assumir um papel mais relevante no acolhimento de refugiados nos próximos anos.

"É expectável que Portugal venha a desempenhar outros papéis no futuro e venha a ser local de acolhimento para outros grupos", afirmou.

Observatório defende maior envolvimento das autarquias

Uma das principais conclusões do relatório aponta para a necessidade de melhorar o modelo de acolhimento, envolvendo mais diretamente as autarquias no processo de integração.

Para Pedro Góis, a integração acontece sobretudo ao nível local e não deve ficar exclusivamente dependente da administração central.

"As autarquias têm de dar um passo em frente, porque essa integração vai acontecer no local", defendeu.

O investigador considera ainda que uma melhor distribuição dos refugiados pelo território poderá ajudar a combater o envelhecimento demográfico em várias regiões e responder à falta de mão de obra em alguns setores de atividade.

Atualmente, a maioria dos refugiados permanece nas áreas metropolitanas, uma vez que é aí que se encontram os principais centros de acolhimento.

No entanto, Pedro Góis considera que este modelo está ultrapassado e defende uma maior dispersão territorial.

"A médio prazo precisamos de mais centros de acolhimento e, a longo prazo, de uma estratégia nacional que envolva todo o país", sustentou.

"As migrações forçadas estão a aumentar"

O diretor científico do Observatório das Migrações alertou ainda para o aumento das migrações forçadas a nível internacional, ao mesmo tempo que as respostas dos países mais desenvolvidos têm vindo a diminuir.

"As migrações forçadas não estão a diminuir, pelo contrário, estão a aumentar", afirmou.

Segundo o especialista, muitos países da Europa Central e os Estados Unidos têm vindo a restringir as soluções de acolhimento, deixando os refugiados concentrados nos países vizinhos das zonas de conflito e, por isso, mais vulneráveis.