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Após o impacto da pandemia de Covid-19, 2024 marcou uma recuperação significativa da atividade hospitalar em Portugal. De acordo com a publicação "Estatísticas da Saúde – 2024" do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgadas esta segunda-feira, os internamentos hospitalares ultrapassaram pela primeira vez os níveis pré-pandemia, enquanto consultas médicas, cirurgias em bloco operatório e atos complementares de diagnóstico atingiram os valores máximos desde 1999.
Foram registados 1,2 milhões de internamentos, correspondendo a 10,5 milhões de dias de hospitalização, com 71,7% a ocorrerem em hospitais públicos. No mesmo ano, os serviços de urgência contabilizaram 8,2 milhões de atendimentos, maioritariamente nos hospitais públicos (78%).
O número de consultas médicas chegou a 23,9 milhões, enquanto foram efetuadas 1,3 milhões de cirurgias, sobretudo no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entre outros dados, registaram-se 84,1 mil partos e 119.046 óbitos, sendo as principais causas de morte doenças do aparelho circulatório e tumores malignos.
O INE destaca que mulheres, idosos e pessoas com menor escolaridade são os mais afetados por doenças crónicas ou problemas de saúde prolongados, afetando 44,1% da população com 16 ou mais anos. Além disso, 23,8% da população apresenta algum tipo de limitação nas atividades diárias, sendo 4,8% casos severos.
Portugal manteve 242 hospitais em 2024, com mais de metade privados, mas os hospitais públicos continuaram a deter a maioria das camas (24 mil de 35,4 mil). A despesa em cuidados de saúde representou 10,2% do PIB, com 64,7% a ser financiada publicamente, sobretudo pelo SNS e pelos Serviços Regionais de Saúde.
Segundo o INE, Portugal continua entre os países da União Europeia com maior proporção de população com doença crónica, mas a esperança média de vida à nascença mantém-se elevada, estimada em 82,5 anos em 2023.