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Imagine receber uma transferência inesperada na sua conta e, pouco depois, uma mensagem no WhatsApp a pedir que devolva o dinheiro. Parece um engano inocente. Não é. A PSP está a alertar para um novo esquema de burla associado ao MB Way que pode envolver utilizadores em actividades ilícitas sem que se apercebam.
Como funciona o esquema
O processo tem dois momentos distintos. Primeiro, chega uma transferência de um número que não reconhece. Depois, surge uma mensagem, normalmente via WhatsApp, a pedir a devolução do montante. A pressão pode ser emocional, o tom urgente, e o pedido parece razoável.
O problema está no detalhe que a maioria não nota: o número que pede a devolução é diferente do número que fez a transferência inicial. Não é um engano. É um esquema deliberado de branqueamento de capitais.
Ao devolver o dinheiro para um número diferente, a vítima está, sem saber, a ajudar a ocultar o rasto de dinheiro de origem ilícita. Do ponto de vista legal, isso pode configurar cumplicidade num crime, mesmo que involuntária.
Os sinais que deve reconhecer
A PSP identificou dois indicadores principais que devem accionar o alerta de imediato:
O contacto para pedir a devolução vem de um número diferente do que fez a transferência
As mensagens são insistentes, com carácter emocional ou que criam pressão para agir rapidamente
Se reconhece estes padrões numa situação que esteja a viver agora, pare. Não responda e não transfira nada.
O que deve fazer
A PSP é clara quanto aos passos a seguir:
Não responda aos contactos suspeitos e interrompa qualquer comunicação de imediato
Contacte o seu banco para reportar a transferência não solicitada
Guarde todos os comprovativos, capturas de ecrã e registos das conversas
Apresente queixa numa esquadra da PSP
Guardar os registos é essencial: são a prova que as autoridades precisam para investigar e que o protegem a si enquanto potencial vítima.
Porque este esquema é particularmente perigoso
Ao contrário de outras burlas, este esquema não retira dinheiro directamente à vítima num primeiro momento. Pelo contrário, começa por colocar dinheiro na sua conta, o que baixa naturalmente a guarda. A lógica parece simples: recebi dinheiro por engano, devolvo e fico com a consciência tranquila.
É precisamente essa lógica que os burlões exploram. O dinheiro que chegou à sua conta tem origem ilícita. A transferência que faz para o devolver é o elo que os criminosos precisam para ocultar esse rasto. Você torna-se, sem querer, parte do esquema.