A Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) iniciou esta terça-feira às 7:30 uma ação de protesto para denunciar a degradação das condições de acesso e prestação de cuidados no SNS. A iniciativa tem lugar junto ao Hospital de São José, com o objetivo de alertar para “o agravamento inaceitável” dos problemas que afetam o sistema público de saúde.
"O nosso objetivo é voltar a chamar a atenção para o plano que o Governo definiu há dois anos para a saúde, que não está a funcionar, antes pelo contrário, está a falhar em diversas vertentes", disse à agência Lusa Fátima Amaral, membro da Plataforma Lisboa em Defesa do SNS, citada pelo Correio da Manhã.
Uma das principais questões é a reorganização dos serviços de urgência, com o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia nos hospitais de Vila Franca de Xira e do Barreiro. A plataforma alerta que esta concentração de serviços num único local tem obrigado grávidas a percorrer grandes distâncias, mesmo em trabalho de parto, com casos de partos em ambulâncias ou na via pública.
A plataforma critica também a escassez de médicos de família que afeta mais de 1,1 milhão de utentes na região de Lisboa e Vale do Tejo. Desses, cerca de 790 mil têm mais de 80 anos, um grupo especialmente vulnerável.
A este cenário somam-se a falta de camas em determinas especialidades e longas listas de espera para consultas, tratamentos e cirurgias, com doentes a aguardarem meses ou anos por atendimento, havendo mesmo casos de pessoas que morrem "à espera de uma intervenção cirúrgica que nunca chega", denuncia a plataforma.
O projeto "Ligue Antes, Salve Vidas" que obriga ao contacto prévio com a Linha SNS 24 antes da deslocação às urgências também é igualmente critricado por criar vários constrangimentos.
Integram a plataforma as comissões de utentes da Cidade de Lisboa, Amadora e Sintra, a Direção Regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, o Movimento Democrático de Mulheres, a Inter-Reformados de Lisboa, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas, o Sindicato Nacional dos Psicólogos e a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP-IN).