sexta-feira, 08 mai. 2026

Proteção Civil nega falhas no combate a incêndios e aponta concentração de fogos como principal desafio

Comandante nacional garante que Portugal tem elevada eficácia no combate aos incêndios, mas alerta para aumento de fogos em dias críticos e durante a noite
Proteção Civil nega falhas no combate a incêndios e aponta concentração de fogos como principal desafio

O comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) rejeitou a existência de falhas de coordenação, meios ou capacidade no combate aos incêndios rurais em Portugal, apontando antes a concentração de ocorrências em períodos críticos como o principal desafio do sistema.

Na audição na Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios rurais, Mário Silvestre afirmou que o problema não reside na falta de recursos, mas sim no elevado número de ignições e nas características da paisagem.

“O problema português, do ponto de vista dos incêndios rurais, não é uma questão de meios. É uma questão do número de ocorrências e do tipo de paisagem que temos”, afirmou, citado pela agência Lusa.

Segundo o responsável, 93% dos incêndios são dominados nos primeiros 90 minutos, o que contribui para uma taxa global de sucesso de 98%. “Se não houvesse coordenação, recursos e capacidade, não teríamos estes níveis de eficácia”, defendeu.

Ainda assim, a ANEPC tem identificado uma tendência preocupante: a concentração de incêndios em dias de maior severidade meteorológica, incluindo durante a noite. “Isto causa um stress significativo em todo o sistema”, alertou.

De acordo com Mário Silvestre, em 2025 houve dias em que cerca de metade das ocorrências se registaram no período noturno, apesar da diminuição global do número de incêndios ao longo do ano.

Em conjunto com a Guarda Nacional Republicana (GNR), a ANEPC analisou estes padrões e concluiu, de forma empírica, que muitos dos fogos noturnos têm origem junto a habitações e aglomerados urbanos.

O comandante indicou que, em alguns casos, poderão estar em causa ações deliberadas de proprietários que queimam terrenos junto às suas casas como forma de proteção. “Perante a pressão e o receio de incêndios, e tendo terrenos por limpar, acabam por queimar o próprio quintal para salvaguardar a habitação”, explicou.

Mário Silvestre ressalvou que esta é uma conclusão empírica, mas considerou tratar-se de um dos principais problemas identificados no atual contexto dos incêndios rurais em Portugal.

A audição decorre no âmbito da investigação parlamentar ao setor, num momento em que as autoridades procuram reforçar estratégias de prevenção e resposta face ao agravamento das condições meteorológicas.