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O prazo para a realização dos trabalhos obrigatórios de gestão de combustível, uma das principais medidas de prevenção dos incêndios rurais, termina esta terça-feira, 30 de junho. Perante o fim do período concedido pelo Governo, as associações de proprietários florestais apelam à tolerância das autoridades antes da aplicação de coimas, alegando atrasos provocados pelas tempestades, falta de mão de obra e limitações impostas pelo risco de incêndio.
Ao mesmo tempo, a Guarda Nacional Republicana (GNR) revelou que, até 28 de junho, já efetuou 122 detenções e identificou 781 suspeitos relacionados com crimes de incêndio florestal.
Mais de 4.000 incêndios e 14 mil hectares ardidos
Segundo dados divulgados pela GNR à agência Lusa, até domingo foram registadas 4.091 ocorrências de incêndio florestal, num total de 2.869 crimes associados a este tipo de ocorrências.
Os números representam um aumento significativo face ao ano passado. No mesmo período de 2025, a GNR tinha registado 23 detenções, 384 suspeitos identificados e 1.594 crimes de incêndio florestal.
Quanto à área ardida, os dados provisórios apontam para cerca de 14.018 hectares consumidos pelas chamas, muito acima dos 3.673 hectares registados no período homólogo do ano passado.
Proprietários pedem mais tempo antes das multas
O presidente da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), Luís Damas, defende que muitos proprietários estão a cumprir os trabalhos de limpeza, mas necessitam de mais alguns dias antes de serem alvo de fiscalização sancionatória.
"O que pedimos é que a GNR tenha alguma tolerância. As pessoas que já disseram que iam fazer a limpeza não sejam logo multadas no dia 1 de julho, mas que lhes seja dado algum tempo para resolver o problema", afirmou.
Segundo o responsável, muitos trabalhos ficaram atrasados devido às tempestades que atingiram várias regiões do país no início do ano, obrigando empresas e prestadores de serviços a concentrarem meios na desobstrução de estradas e outras intervenções de emergência.
Luís Damas alertou ainda que uma coima poderá comprometer a própria realização da limpeza.
"Se tiverem de pagar a multa, depois podem não ter dinheiro para limpar os terrenos. Isso é mau para todos, porque a limpeza representa um encargo e não uma fonte de rendimento", sublinhou, citado pela agência Lusa.
Mais de 11 mil terrenos sinalizados
No âmbito da campanha de prevenção, a GNR realizou 8.548 sinalizações de terrenos para limpeza até 26 de junho, número que corresponde ao trabalho efetuado até ao final de abril.
A este total juntam-se cerca de 3.300 sinalizações adicionais realizadas nas zonas afetadas pela tempestade Kristin, nos distritos de Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Santarém, elevando para pelo menos 11.848 os terrenos identificados como necessitando de gestão de combustível.
A Guarda registou ainda 263 contraordenações relacionadas com queimas, queimadas e utilização de maquinaria, um número inferior ao verificado no mesmo período do ano passado.
GNR garante que prioridade é prevenir incêndios
O Governo prolongou o prazo para a limpeza obrigatória de terrenos até 30 de junho, alargando a medida a todo o território nacional, depois de inicialmente abranger apenas os concelhos afetados pelas tempestades de janeiro e fevereiro.
A GNR garante, contudo, que o objetivo principal continua a ser a prevenção.
"O nosso objetivo não é a multa em si", afirmou fonte da Guarda, apelando aos proprietários para que mantenham os terrenos limpos e utilizem maquinaria apenas de acordo com as restrições impostas nos dias de maior risco de incêndio, especialmente perante a previsão de subida das temperaturas.