segunda-feira, 09 fev. 2026

Praia de Matosinhos em risco de perder estatuto de zona balnear devido à poluição

A APA aguarda agora propostas concretas da Câmara Municipal de Matosinhos, liderada por Luísa Salgueiro
Praia de Matosinhos em risco de perder estatuto de zona balnear devido à poluição

A praia de Matosinhos, no distrito do Porto, está em risco de não ser classificada como zona balnear na próxima época, caso a Câmara Municipal não apresente medidas imediatas para reduzir os elevados níveis de poluição, revelou este domingo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Em causa estão riscos para a saúde pública numa das praias mais frequentadas do país, que pode receber até 14 mil utentes por dia durante o verão e que, na última época balnear, esteve interditada 18 vezes devido à má qualidade da água.

“É uma das praias em que aguardamos um conjunto de medidas adicionais para minimizar a poluição. No passado registou vários episódios que levaram à sua interdição e, por isso, este ano exigimos mais ações para avaliar e controlar a situação”, afirmou o presidente do conselho diretivo da APA.

José Pimenta Machado confirmou que esta é a única das 370 praias do continente que enfrenta atualmente este risco. O processo de consulta pública decorre até 2 de fevereiro, estando a decisão final prevista para abril.

A APA aguarda agora propostas concretas da Câmara Municipal de Matosinhos, liderada por Luísa Salgueiro, estando já marcada uma reunião para a próxima semana. “Se as medidas não forem suficientes, o areal poderá deixar de ser considerado praia balnear”, advertiu Pimenta Machado.

De acordo com a agência Lusa, entre as ações em curso, o presidente da APA destacou um projeto da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto focado na Ribeira da Riguinha, bem como uma intervenção prevista para o próximo mês na Avenida D. Afonso Henriques, destinada a corrigir problemas de saneamento e eliminar ligações ilegais.

Segundo a APA, a Ribeira da Riguinha tem um impacto significativo na qualidade da água, estando identificadas cerca de 800 ligações ilegais. Também a presença de gaivotas contribui para a contaminação bacteriana.

Em entrevista à RTP, o investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Adriano Bordalo e Sá, alertou para os riscos das bactérias associadas às aves, que podem provocar diarreias e infeções na pele, olhos e ouvidos, sobretudo em populações mais vulneráveis.

A equipa do investigador instalou um laboratório à beira-mar nos dois últimos verões, com recolhas de amostras de 30 em 30 minutos, confirmando a falta de qualidade da água tanto na praia como nas ribeiras que ali desaguam.