Depois de vários anos com o Algarve na liderança, o Alentejo surge agora como o destino nacional preferido dos portugueses para as férias de verão, segundo o estudo Férias dos Portugueses 2019-2026, do IPAM, que coloca o Alentejo Litoral na primeira posição entre os destinos nacionais, escolhido por 60% dos inquiridos que fazem férias em Portugal. O Algarve surge com 30%.
Ao Nascer do SOL, José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, defende que esta evolução confirma uma tendência que a região tem vindo a consolidar. «Temos vindo a afirmar, de forma consistente, na nossa estratégia de promoção turística, que o Alentejo é, cada vez mais, o destino de eleição dos portugueses», afirma. O responsável sublinha, contudo, que «é evidente que o Alentejo não é a região do país que recebe o maior número absoluto de turistas nacionais». Ainda assim, destaca que «é uma das regiões que mais tem crescido, em termos relativos, na procura por parte deste mercado».
Como exemplo, refere que, no ano passado, a região registou um crescimento de 7% no mercado nacional, «sendo apenas ultrapassados pela Madeira». Já este ano, acrescenta, «somos o destino com melhor desempenho no primeiro semestre, com um aumento de 6% nas pernoitas de turistas portugueses».
Na origem desta mudança, José Santos aponta a imagem que a região construiu junto dos visitantes nacionais. «O Alentejo tem conseguido afirmar uma imagem de qualidade junto dos portugueses e criar uma forte ligação emocional com as pessoas, assente nos seus valores, na sua autenticidade e na diversidade da sua oferta. É um destino que fala ao coração dos portugueses», destacando a atratividade da região, tanto na costa como no interior. E acrescenta: «Hoje, todos os destinos querem ser autênticos, mas no nosso caso, essa autenticidade é genuína. Não precisa de ser encenada».
Questionado sobre a capacidade da região para responder ao crescimento da procura sem perder autenticidade, José Santos mostra-se confiante. «Acredito que sim. O crescimento da procura é acompanhado pela evolução da oferta, cuja dimensão e tipologia permitem uma resposta equilibrada», lembrando os dez hotéis previstos para abrir este ano no Alentejo que vão representar um acréscimo de pouco mais de 650 camas ao destino. «O Alentejo compete pela qualidade e não pela quantidade», afirma.
Sobre os dados deste estudo, André Gomes, Presidente do Turismo do Algarve, diz que não traduz uma perda de relevância do destino. E aponta os dados da atividade turística como prova. Apesar de as dormidas terem recuado 0,2% em 2025, «os proveitos totais cresceram 6,1%», o que, na sua perspetiva, demonstra «a consolidação do valor gerado por hóspede» e «um sinal de maturidade do destino e de qualificação da oferta».
O nosso jornal tentou ainda perceber sobre esta perda de preferência e o responsável afirma que «uma preferência declarada num inquérito não permite, por si só, identificar uma causa única ou concluir que existe uma perda efetiva de procura». Ainda assim, ao nosso jornal, admite desafios como a sazonalidade, a dependência de alguns mercados emissores e questões ligadas à água, mobilidade, habitação, recursos humanos e sustentabilidade, referindo que a estratégia passa pela diversificação da oferta turística.
Sobre o mercado internacional, considera que continua a ser determinante para o Algarve, com o Reino Unido a assumir-se como «um mercado âncora». Ainda assim, ressalva que «o mercado interno é e continuará a ser o principal mercado emissor para a região algarvia».