A Marinha Portuguesa e a Polícia Marítima reforçaram o controlo da fronteira marítima no Algarve, através de patrulhas diárias por mar e por terra, na sequência da crise migratória registada em Ceuta, anunciou este sábado a autoridade marítima.
Em comunicado, a Marinha explicou que a operação está a ser desenvolvida em articulação com a Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras (UCCF) da GNR, abrangendo toda a orla costeira algarvia.
O objetivo passa por detetar embarcações eventualmente ligadas à imigração irregular ou a outras atividades criminosas.
"As patrulhas regulares e diárias visam reforçar o controlo da fronteira marítima e identificar embarcações que possam estar relacionadas com fenómenos de migração irregular ou outras atividades ilícitas", refere a Marinha.
Autoridades apelam à colaboração da população
Além do reforço da vigilância, a Marinha e a Polícia Marítima apelaram à colaboração dos cidadãos, pedindo que qualquer movimentação suspeita seja comunicada ao Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa ou ao Comando Local da Polícia Marítima da respetiva área.
O reforço da vigilância surge um dia depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciar um aumento da presença das forças de segurança nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.
Na sexta-feira, o chefe do Governo rejeitou suspender as regras do Espaço Schengen, defendendo antes uma resposta assente no reforço dos mecanismos de controlo previstos no Pacto Europeu para a Migração e Asilo.
Crise em Ceuta continua a mobilizar autoridades
A decisão portuguesa acontece numa altura em que a cidade autónoma espanhola de Ceuta, no norte de África, enfrenta uma das maiores vagas migratórias dos últimos anos.
Segundo dados das autoridades espanholas, cerca de 50 mil migrantes entraram em Ceuta na quinta-feira, embora o presidente da cidade autónoma estime que o número possa ter atingido os 60 mil.
Entretanto, as forças de segurança espanholas indicaram que cerca de 69.500 pessoas saíram de Ceuta rumo a Marrocos nas últimas 30 horas, num processo de repatriamento que continua em curso.
Na manhã deste sábado começou também a instalação de uma barreira pneumática de contenção com cerca de 500 metros no espigão fronteiriço de Tarajal, complementada por uma linha de boias ancoradas e protegida por embarcações da Guarda Civil espanhola.
As autoridades espanholas afirmam ainda que, durante a última noite, não foram registadas novas entradas significativas em Ceuta, enquanto prosseguiram os regressos voluntários a Marrocos.
Pressão migratória mantém-se em Melilla
Apesar da estabilização em Ceuta, a pressão migratória manteve-se em Melilla, o outro enclave espanhol no norte de África.
Durante a noite registaram-se novas tentativas de entrada irregular junto ao posto fronteiriço de Beni-Enzar, com grupos de migrantes a deslocarem-se ao longo da vedação fronteiriça e a provocarem danos em infraestruturas de vigilância.
Na quinta-feira foram contabilizadas 130 entradas irregulares em Melilla, incluindo 84 menores, elevando para 260 o número de jovens acolhidos nos centros de proteção da cidade, um valor superior ao triplo da capacidade inicialmente prevista.